Escudo das Américas: Governo Trump Lança Sanções Contra PCC e CV com Aliança de 15 Países; Brasil Fora

BRASIL

Aliança “Escudo das Américas” impõe sanções a facções brasileiras e mira combate ao narcotráfico com países alinhados a Trump.

Uma coalizão de países americanos, sob a liderança do governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sanções contra facções brasileiras como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). O grupo, batizado de “Escudo das Américas”, formalizou a designação de organizações narcotraficantes como “ameaças compartilhadas” e alvos de medidas restritivas.

O Brasil, apesar de ter facções entre os alvos, não faz parte desta aliança, que reúne nações com governos ideologicamente alinhados à gestão republicana. A criação da coalizão e as sanções geram debates sobre a influência dos EUA na região e a política de combate ao crime organizado.

A iniciativa, que também visa combater o que Trump chamou de “interferência externa” no Hemisfério Ocidental, remete à Doutrina Monroe, estabelecida no século 19, que buscava manter as Américas como área de influência dos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA.

Membros da Coalizão e Exclusões Notáveis

O “Escudo das Américas” foi formado em março de 2026, durante um encontro na Flórida, a convite de Donald Trump. A composição atual da aliança inclui Argentina, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru, além de Trinidad e Tobago. Governos de esquerda, como os do México e da Colômbia (inicialmente), foram excluídos da formação original, embora a Colômbia tenha aderido posteriormente.

Sanções e Definição de “Narcoterrorismo”

O documento que anuncia as sanções, assinado por 15 países, incluindo os Estados Unidos, define as organizações narcotraficantes como uma “ameaça imediata e universalmente compartilhada em nosso hemisfério”. As medidas incluem o congelamento de ativos, restrições de imigração e de visto para membros e apoiadores, e a responsabilização criminal. O texto lista 24 organizações como alvos, entre elas PCC e CV.

A classificação de facções brasileiras como “terroristas globais” pelo governo Trump diverge da legislação brasileira. No Brasil, terrorismo é definido por atos violentos com motivações xenófobas, discriminatórias ou preconceituosas, com o objetivo de provocar terror social. Representantes do governo brasileiro, como o ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sabburro, já explicaram que as facções brasileiras não possuem viés ideológico ou político, focando-se na prática de infrações penais e lavagem de dinheiro.

Contraste com a Política Externa Brasileira

A postura do governo Trump contrasta com a defesa do multilateralismo, da soberania e da não interferência em assuntos internos, princípios defendidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso na Assembleia Geral da ONU. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou Lula, em contraponto à visão de “nosso quintal” frequentemente utilizada por membros do governo Trump para se referir ao Hemisfério Ocidental.

Combate ao Narcotráfico em Destaque Global

O combate ao tráfico de drogas foi um dos temas centrais na fala de Trump na Assembleia Geral da ONU. Ele comparou os cartéis de drogas ao Estado Islâmico, declarando que “os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental” e que “devem ser mortos, exilados ou detidos”. Essa retórica reforça a abordagem de linha dura adotada pela sua administração contra o crime organizado no continente.

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