Zelensky reage com veemência à decisão de Trump de suspender sanções contra a Rússia, alertando para o risco de escalada do conflito.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, manifestou profunda insatisfação com a ordem executiva assinada por Donald Trump, que suspendeu sanções e tarifas contra a Rússia destinadas a entrar em vigor na próxima semana. Zelensky declarou que a medida, justificada por Trump como de interesse nacional, na verdade beneficia exclusivamente os russos e pode incentivar Moscou a intensificar seus ataques.
Em declarações publicadas na plataforma X, Zelensky afirmou que “a decisão de desfazer tudo isso, de bloquear tudo isso, me parece errada”. Ele enfatizou que a suspensão das sanções “definitivamente ajuda apenas os russos”, pois alimenta a satisfação de Moscou e o desejo de continuar com a agressão militar.
O líder ucraniano acusou a Rússia de ter atacado mais de 15 instalações de energia ucranianas na sexta-feira (16) e alertou sobre a preparação de Moscou para uma intensificação dos ataques no oeste do país. Para Zelensky, essa medida de Trump “certamente não interrompe a guerra”, mas sim encoraja o presidente russo, Vladimir Putin, a prosseguir com sua ofensiva.
Ordem Executiva de Trump e a Lei Graham
A ordem executiva de Trump, assinada na noite de sexta-feira (16), reverteu sanções e tarifas que estavam programadas para começar a valer na semana seguinte. Entre as medidas revogadas estavam tarifas sobre produtos russos e punições para empresas que comprassem petróleo e gás da Rússia. Essas sanções faziam parte da chamada Lei Graham, sancionada por Trump em meados de setembro.
Segundo o texto da ordem executiva, a suspensão das sanções é temporária, válida até que Trump ou seus principais assessores determinem que “novas medidas são apropriadas”. Trump justificou a decisão como sendo de interesse nacional para os Estados Unidos, em um momento delicado para a economia global.
Contexto da Lei Graham e Preocupações Internacionais
A Lei Graham foi criada com o objetivo de aumentar a pressão sobre a Rússia em resposta à invasão da Ucrânia. A legislação previa a imposição de tarifas de até 100% sobre produtos importados de países que fossem grandes compradores de petróleo ou gás russos. A lei também visava punir nações que ajudassem a Rússia a contornar sanções internacionais.
Países como a China e a Índia, que figuram entre os maiores importadores de petróleo russo, já haviam expressado preocupação com a imposição dessas tarifas. Pequim criticou o que considera uma “jurisdição de longo alcance sem base no direito internacional”, enquanto a Índia alertou que novas tarifas poderiam afetar a relação bilateral com os Estados Unidos.
Reações nos EUA e o Legado do Senador Graham
A decisão de Trump gerou críticas nos Estados Unidos. O deputado democrata Don Beyer afirmou que Trump “cedeu a Putin” e que a medida “trai os parceiros ucranianos”, contrariando a intenção do Congresso ao aprovar a Lei Graham. O enviado russo para investimentos, Kirill Dmitriev, por outro lado, classificou a suspensão como um “momento histórico”.
O senador republicano Lindsey Graham, que deu nome à lei e era um forte defensor da assistência à Ucrânia, faleceu em julho. Zelensky lamentou a ausência de Graham, afirmando que “é difícil sem ele”. O presidente ucraniano também expressou receio de que o governo Trump continue a afrouxar sanções contra a Rússia, citando o “acordo do diesel” como um sinal preocupante.
Timing Político e Impacto Econômico
A suspensão das sanções ocorre semanas antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, onde os republicanos buscam manter a maioria no Congresso. Analistas apontam que a imposição das tarifas poderia ter elevado ainda mais os preços do petróleo, em um cenário de inflação já elevado. A aproximação de Trump com Moscou e suas críticas públicas a Zelensky adicionam uma camada de complexidade a essa decisão.
