Porto Velho: 1 em cada 5 carros roubados recuperados é clonado, alertam autoridades sobre rota de fronteira

RONDONIA

Porto Velho enfrenta onda de veículos clonados, um grave problema para a segurança pública.

A capital rondoniense tem um cenário preocupante quando o assunto é roubo e furto de veículos. De acordo com dados da Polícia Militar, um número alarmante de carros e motos recuperados na cidade apresentam sinais de clonagem, indicando a sofisticação do crime organizado na região.

Essa prática criminosa não apenas prejudica os proprietários originais, mas também representa um risco para quem adquire esses veículos sem o devido cuidado, podendo responder por receptação. A polícia reforça a necessidade de atenção e cautela para evitar cair em armadilhas.

A rota de fronteira com a Bolívia se tornou um ponto crucial nesse esquema, onde veículos roubados são usados como moeda de troca por entorpecentes e armas. Conforme informação divulgada pelo g1, a Polícia Militar registrou 582 apreensões de veículos adulterados entre 2022 e 2025.

O alarmante número de veículos clonados em Porto Velho

Os números apresentados pela Polícia Militar entre 2022 e 2025 são um retrato sombrio da realidade. De um total de 2.845 veículos recuperados, 582 foram identificados como clonados, o que representa cerca de 20,5% do total. Isso significa que, em média, um a cada cinco veículos recuperados na capital passou pelo processo de adulteração.

O ano de 2023 se destacou como o período com maior incidência, concentrando 39,3% de todas as apreensões de veículos clonados registradas nesse intervalo. Em contrapartida, 2024 foi o único ano a apresentar uma redução, com 14,1% dos casos. Apenas em 2025, foram apreendidos 154 veículos clonados na capital.

A adulteração de sinais identificadores e a subnotificação

O delegado Alessandro Bernardino Morey, titular da Delegacia Especializada em Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), explica que a clonagem, popularmente conhecida como “dublê”, é, na verdade, a **adulteração de sinais identificadores de veículo automotor**, um crime previsto no Código Penal. A adulteração pode envolver placa, chassi, motor e outras características do veículo.

Morey ressalta que os números oficiais podem ser ainda maiores devido à subnotificação. Quando um veículo adulterado é utilizado na prática de outro crime, como um homicídio, a ocorrência é registrada pelo crime principal, mascarando a adulteração prévia. Essa prática visa dificultar a identificação e a circulação dos veículos roubados.

A fronteira com a Bolívia como rota de escoamento e troca de mercadorias ilícitas

Um dos principais destinos dos veículos roubados em Porto Velho, especialmente caminhonetes, é a Bolívia. A região de Guajará-Mirim e Nova Mamoré é apontada como a rota utilizada para o escoamento desses veículos.

Na fronteira, esses carros deixam de ser apenas mercadoria roubada para se tornarem **moeda de troca no mercado do crime organizado**. Segundo o delegado, a troca é feita principalmente por drogas e armas, financiando atividades ilícitas que afetam toda a região. A sofisticação das adulterações muitas vezes torna a fraude imperceptível sem perícia técnica.

Dicas de segurança para evitar se tornar vítima

No mercado interno, veículos adulterados, principalmente motocicletas, são frequentemente anunciados online por preços muito abaixo do valor de mercado. A polícia alerta os consumidores para desconfiarem de ofertas “milagrosas” e sempre realizarem uma **vistoria cautelar** completa antes de fechar qualquer negócio.

Para evitar ser vítima de roubo ou furto, a polícia recomenda algumas medidas de segurança. É essencial **conferir fisicamente se o veículo trancou**, mesmo que por um breve momento, para evitar o uso de bloqueadores de sinal. Nunca deixe a chave reserva dentro do veículo, e evite deixar motos estacionadas com a chave na ignição, mesmo por poucos minutos.

Investir em **rastreadores veiculares e contratar um seguro** são medidas adicionais importantes para aumentar a segurança e minimizar os riscos em caso de imprevistos. A atenção e a prevenção são as melhores ferramentas contra a ação criminosa.

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