Benito Di Paula, Voz Inconfundível do Samba e “Pianeiro”, nos Deixa Aos 84 Anos
O Brasil lamenta a partida de Benito Di Paula, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, que faleceu na noite de domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo. A causa da morte foram complicações de um câncer de próstata, doença que o artista enfrentava há cerca de um ano.
Internado no Hospital 9 de Julho, Benito Di Paula deixa um legado inestimável, com canções que marcaram épocas e ajudaram a redefinir a sonoridade do samba. Sua partida representa uma grande perda para a cultura nacional.
Nascido Uday Velloso em Nova Friburgo (RJ), o artista construiu uma carreira singular, combinando o samba tradicional com um toque romântico e a presença marcante do piano. As informações sobre seu falecimento foram confirmadas neste domingo, e detalhes sobre o velório e sepultamento ainda não foram divulgados. Conforme informação divulgada pelo Brasil 247, o artista lutava contra a doença há aproximadamente um ano.
Uma Trajetória Marcada Pelo Piano e Romantismo no Samba
Benito Di Paula iniciou sua carreira fonográfica em 1967, mas foi nos anos 1970 que sua projeção nacional se consolidou. Seu primeiro álbum, lançado em 1971, abriu caminho para uma série de sucessos que o tornaram um dos artistas mais queridos do país.
O disco “Ela”, de 1972, trouxe o hit “Violão não se empresta a ninguém”, seu primeiro grande sucesso popular. A partir de 1973, Benito viveu um período de enorme sucesso, dividindo os palcos e as paradas de sucesso com outros gigantes do samba.
O que diferenciava Benito Di Paula era sua forma única de interpretar e compor, com o piano ocupando um lugar de destaque em suas apresentações. Ele se definia com orgulho como “sambeiro” e “pianeiro”, expressando sua profunda conexão com a música.
Os Grandes Sucessos Que Tocaram o Coração do Brasil
O auge comercial de Benito Di Paula ocorreu entre 1973 e 1977. Suas composições, com melodias cativantes e letras sentimentais, conquistaram as rádios e o público.
Canções como “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Do Jeito Que a Vida Quer” e “Assobiar ou Chupar Cana” se tornaram hinos. “Do Jeito Que a Vida Quer”, lançada em 1976, é um exemplo da sua habilidade em traduzir sentimentos e a realidade da vida em música.
O repertório de Benito extrapolou os limites do samba, alcançando festas, reuniões familiares e programas de rádio, tornando-se parte da memória afetiva de milhões de brasileiros. Sua presença de palco, com o piano como centro de suas apresentações, era inesquecível.
Legado Duradouro e Homenagem Especial no Carnaval
Benito Di Paula manteve uma produção musical ativa ao longo das décadas, com sucessos como “Ah, Como Eu Amei” (1981) e “Amigo do Sol, Amigo da Lua” (1984), que integrou a trilha sonora da novela “A Gata Comeu”.
Mesmo em fases posteriores de sua carreira, ele continuou compondo e gravando, lançando álbuns como “Baileiro” (1996) e “A Felicidade é Nossa” (2017). Em 2021, aos 80 anos, lançou “O Infalível Zen”, reafirmando sua paixão pela música.
Em 2025, sua obra foi celebrada pela escola de samba Águia de Ouro, de São Paulo, com o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do Jeito Que a Vida Quer”. Benito participou pessoalmente da homenagem, um reconhecimento público de sua importância para o samba e a MPB.
Um “Pianeiro” Que Inovou e Emocionou
A trajetória de Benito Di Paula se entrelaça com a expansão da MPB, mostrando a diversidade do samba e sua capacidade de absorver novas influências. Sua música, carregada de lirismo e romantismo, atravessou gerações.
Ele provou que o samba podia ter novas roupagens, com o piano adicionando uma sofisticação única. Benito Di Paula deixou um legado de canções que celebram o amor, as experiências cotidianas e as esperanças do povo brasileiro.
Suas gravações, melodias e a forma genuína como traduziu a alma brasileira em suas composições permanecem como um tesouro para a música popular. O Brasil perde um artista que fez do samba uma expressão pessoal e profundamente brasileira.
