Brasil traça rota para R$ 1 trilhão com bioeconomia até 2035, impulsionando desenvolvimento sustentável e inclusivo
O governo brasileiro apresentou um plano ambicioso para consolidar a **bioeconomia** como um dos pilares do desenvolvimento nacional. A estratégia visa transformar a vasta biodiversidade do país em um motor de prosperidade econômica até 2035, com potencial para gerar R$ 1 trilhão.
O Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) foi desenvolvido com a participação de 16 ministérios, sociedade civil, academia e setor privado, e abrange desde comunidades extrativistas até a indústria de alta tecnologia. A proposta busca gerar um novo ciclo de prosperidade, valorizando os ativos ambientais de forma sustentável.
Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a bioeconomia pensada para o Brasil é inclusiva. “Há lugar para extrativista, para industrial do cosmético, dos fármacos. É uma bioeconomia para um novo ciclo de prosperidade”, declarou. Conforme informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o plano está estruturado em três eixos principais.
Sociobioeconomia e Ativos Ambientais: Valorizando Comunidades e Serviços
O primeiro eixo do PNDBio foca na estruturação de um ecossistema de negócios comunitários da **sociobioeconomia**. As metas incluem o apoio a 6 mil empreendimentos e um aumento de 20% nos contratos da linha de financiamento do Pronaf para produtores de baixa renda. Além disso, o plano prevê a duplicação do valor bruto anual gerado a partir da sociobiodiversidade.
Um dos pontos centrais é a **valorização dos serviços ambientais e socioculturais** promovidos por povos e comunidades tradicionais, com pagamento a 300 mil beneficiários. A meta também é aumentar em 50% o número de organizações que recebem benefícios da repartição de lucros oriundos do patrimônio genético, que engloba informações contidas em plantas, animais e microrganismos.
Bioindustrialização Competitiva: Inovação em Saúde e Bem-Estar
No eixo de bioindustrialização, o plano visa atuar especialmente nos setores de **saúde e bem-estar**, com foco no uso sustentável do patrimônio genético. Uma das ações previstas é a incorporação de novos fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS).
O objetivo é aumentar em 5% a participação de fitoterápicos no faturamento da indústria farmacêutica nacional. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou a visão de uma indústria “inovadora, competitiva, exportadora e verde”, caracterizando uma **indústria sustentável**.
Produção Sustentável de Biomassa e Economia Circular
O terceiro eixo do PNDBio enfatiza o aproveitamento da **biomassa** na indústria nacional, proveniente de produtos agrícolas e florestais. Biomassa é definida como todo material orgânico de origem vegetal ou animal que pode ser utilizado como fonte de energia.
Este eixo também contempla o desenvolvimento da indústria bioquímica de renováveis, como a produção de biocombustíveis, a exemplo do etanol. O plano também prevê a recuperação de 2,3 milhões de hectares de vegetação nativa integrados às cadeias da bioeconomia e a consolidação de 30 territórios de restauração.
Expansão do Ecoturismo e Manejo Florestal
Para impulsionar a economia ligada à natureza, o PNDBio propõe a concessão de 60 Unidades de Conservação para a promoção do **ecoturismo**. Além disso, há previsão de aumento das áreas para manejo florestal, expandindo para 5,28 milhões de hectares.
O plano, que contou com mais de 900 contribuições em consulta pública, estabelece 185 ações estratégicas para o país. A expectativa é que a **bioeconomia** se torne um vetor fundamental para o desenvolvimento sustentável e a inclusão social no Brasil.
