Crise no Paraguai: Ex-presidente Santiago Peña tem prisão preventiva decretada após renúncia em escândalo do Banco Ueno

RONDONIA

Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, tem prisão preventiva decretada em meio a crise envolvendo o Banco Ueno

A política paraguaia foi abalada nesta sexta-feira (6/11) com a decisão da Justiça de decretar a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña. A medida atende a um pedido do Ministério Público e ocorre apenas um dia após Peña anunciar sua renúncia ao cargo máximo do país.

A renúncia e a subsequente prisão preventiva são desdobramentos de uma grave crise política e financeira que assola o Paraguai, centrada no escândalo envolvendo o Banco Ueno, que já foi o maior banco digital do país. A situação se agravou drasticamente nas últimas semanas.

Este turbilhão político-financeiro levanta sérias questões sobre a gestão de instituições financeiras e a relação entre o poder público e o setor privado no Paraguai, com desdobramentos que ainda estão sendo desvendados pelas autoridades. Conforme informação divulgada, a decisão judicial marca um novo e dramático capítulo na crise.

Impeachment e dissolução do Banco Ueno desencadeiam crise

A crise ganhou força após o Banco Central do Paraguai determinar, em 3 de novembro, a dissolução do Banco Ueno. A instituição, que operava como o maior banco digital do país, foi considerada incapaz de cumprir seus compromissos financeiros, apresentando graves problemas de solvência. A suspensão das operações do banco evidenciou a fragilidade financeira da instituição.

O caso trouxe à tona suspeitas de irregularidades na administração do Banco Ueno. Investigações apontam para a concessão de empréstimos a empresas diretamente ligadas ao grupo controlador, operações que teriam comprometido severamente o patrimônio da instituição e levado à sua ruína.

Ligação de Santiago Peña com o Banco Ueno sob investigação

A situação colocou o ex-presidente Santiago Peña no centro das investigações devido à sua conexão anterior com o grupo empresarial relacionado ao Banco Ueno. Peña, que possui formação em Economia, foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, o que levanta questionamentos sobre sua atuação e conhecimento dos problemas da instituição.

O Ministério Público não apenas investiga a instituição financeira, mas também solicitou a prisão de dois dirigentes do banco. O objetivo é esclarecer de forma completa as possíveis irregularidades na gestão e nas operações de crédito realizadas pelo grupo, buscando responsabilizar os envolvidos.

Mudanças no Banco Central e sucessão presidencial

A crise também resultou em mudanças significativas na cúpula do Banco Central paraguaio. Carlos Carvallo, que presidia a autoridade monetária desde 2023 e, ironicamente, já havia comandado o Banco Ueno, renunciou ao cargo. Essa saída reflete a gravidade da situação e a necessidade de mudanças na gestão da política monetária do país.

Com a renúncia de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do governo paraguaio. No entanto, a crise política e financeira, agora agravada pela ordem de prisão preventiva contra o ex-presidente, sugere um período de instabilidade e incerteza para o futuro do país sul-americano.

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