A família desapareceu, diz parente de brasileiros mortos em ataque israelense no Líbano
O luto e o medo tomam conta de uma família brasileira após um ataque aéreo israelense no sul do Líbano ter ceifado a vida de uma mãe e seu filho, ambos cidadãos brasileiros. O Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros e de um libanês, pai da criança, em um bombardeio que atingiu a residência familiar no distrito de Bint Jeil. O ataque ocorre em meio a um cessar-fogo que, segundo relatos, tem sido violado.
Um parente das vítimas, identificado como Nader, expressou em entrevista à Globonews o profundo sofrimento e a apreensão que a comunidade local vive. Ele descreveu a sensação de viver sob constante ameaça, onde a paz parece um luxo inatingível e a vida de amigos pode ser interrompida a qualquer momento pelos bombardeios israelenses.
Nader também manifestou sua descrença em relação ao cessar-fogo entre Israel e Líbano, anunciado recentemente com mediação americana. Ele classificou a trégua como uma mentira, evidenciando a persistência dos ataques e a insegurança que assola a região. A família, que vivia no Brasil em busca de paz, retornou ao Líbano e acabou sendo atingida pela violência. Conforme informação divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o ataque ocorreu no dia 26 de abril.
A família buscava pertences durante a trégua
A família brasileira estava na residência bombardeada, localizada no sul do Líbano, para retirar alguns pertences. Eles haviam se mudado para a cidade de Aramoun devido ao conflito em andamento. O ataque aéreo ocorreu justamente quando se preparavam para retornar à nova moradia, um momento de vulnerabilidade que culminou na tragédia.
A mãe, Manal Jaafar, e o filho, Ali Ghassan Nader, de 11 anos, foram confirmados como as vítimas brasileiras. O pai, Ghassan Nader, de nacionalidade libanesa, e uma diarista etíope também faleceram no ataque. Os corpos de Ghassan e Manal ainda não haviam sido localizados até a última atualização desta reportagem.
Único sobrevivente recebeu alta médica
O único sobrevivente direto do ataque foi Bassem, de 22 anos, irmão do menino Ali. Ele estava na residência no momento do bombardeio e, após receber atendimento médico, teve alta hospitalar nas últimas horas. A notícia traz um alívio mínimo em meio à devastação sofrida pela família e pela comunidade.
Brasil condena violações do cessar-fogo
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, expressou profunda consternação e pesar pela morte da criança brasileira, sua mãe e o pai libanês. O órgão classificou o ataque israelense como mais um exemplo das “reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo”, que entrou em vigor em 16 de abril. O governo brasileiro tem defendido a retirada imediata das tropas israelenses do Líbano.
O Itamaraty informou que a embaixada brasileira em Beirute está em contato com a família para prestar toda a assistência necessária. A ofensiva israelense ocorreu apesar do alerta de evacuação emitido para diversas cidades e vilarejos da região. O Exército israelense justificou os ataques como resposta a “repetidas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah”, grupo libanês aliado do Irã.
Cessar-fogo em risco e troca de ataques persistente
O cessar-fogo, anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e prorrogado por mais três semanas, deveria vigorar até meados de maio. No entanto, a realidade no terreno contradiz o acordo, com relatos de violações por ambas as partes, Israel e Hezbollah. A situação de instabilidade e a persistência dos ataques aéreos israelenses no Líbano geram um clima de insegurança permanente para os civis.
O Brasil tem reiteradamente defendido a extensão do cessar-fogo ao Líbano, buscando garantir a soberania do país e a proteção de sua população. A comunidade internacional observa com preocupação a escalada da violência e o impacto sobre civis, incluindo famílias brasileiras que buscam refúgio e paz.
