Lula e Trump: Analistas avaliam risco baixo de “emboscada” em encontro em Washington, apesar de “timing estranho”

BRASIL

Lula em Washington: Encontro com Trump levanta expectativas e cautelas entre analistas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quarta-feira (6) para Washington, nos Estados Unidos, com destino à Casa Branca para um encontro oficial com o presidente Donald Trump, agendado para quinta-feira (7). A reunião, que estava em negociação desde janeiro e já havia sido adiada uma vez, foi anunciada de forma incomum, com apenas três dias de antecedência, segundo analistas.

Essa nova data, anunciada na última segunda-feira (4), surpreendeu por ser atípica. Analistas apontam que, em governos anteriores, uma visita de Estado como essa seria planejada com muito mais antecedência e detalhe, envolvendo diversas agências governamentais. A forma como o encontro foi marcado sugere uma convocação prioritária de Washington.

Apesar do “timing estranho”, a expectativa é que o encontro possa beneficiar Lula, que enfrenta desafios internos com o Congresso e uma queda em sua aprovação. No entanto, o cenário também apresenta riscos, dependendo dos temas que serão abordados durante a conversa. Conforme informação divulgada pelo g1, analistas ouvidos pela reportagem avaliaram a situação.

Lula em “defensiva” em um momento delicado, mas com potencial para blindar o governo

Brian Winter, analista político norte-americano e editor-chefe da Americas Quarterly, sugere que Lula pode adotar uma postura mais defensiva neste encontro, diferente do último que teve com Trump. O analista acredita que a reunião pode servir aos interesses de Brasília, especialmente para tentar proteger o governo de novas tarifas comerciais ou de possíveis interferências de Trump nas eleições presidenciais brasileiras de outubro.

O cientista político Oliver Stuenkel ressalta que a reunião não é isenta de riscos e que o resultado dependerá muito dos assuntos discutidos. Ele aponta que os Estados Unidos ainda possuem investigações em andamento relacionadas ao Brasil, como o processo que pede a extradição de Alexandre Ramagem, que poderiam levar a tarifas adicionais.

Risco de “armadilhas” de Trump é baixo, mas confronto não é descartado

Winter alerta para uma “pequena, porém real, possibilidade de que as coisas corram mal”, referindo-se às “armadilhas” que Donald Trump já preparou para outros chefes de Estado em encontros anteriores na Casa Branca. Exemplos disso foram as visitas dos presidentes ucraniano, Volodymyr Zelensky, e sul-africano, Cyril Ramaphosa, no ano passado, onde ambos foram constrangidos com acusações durante entrevistas informais.

Embora fontes em Washington indiquem que Lula e Trump concederão uma entrevista coletiva no Salão Oval, os analistas consideram baixas as chances de uma “emboscada” direta. Contudo, um confronto verbal ou discordâncias sobre temas específicos, como a postura dos EUA na guerra do Irã, que Lula já criticou, não podem ser totalmente descartados.

Encontro passado entre Lula e Trump foi marcado por elogios e retirada de tarifas

É importante lembrar que, no último encontro entre Lula e Trump, em outubro do ano passado, os dois líderes trocaram elogios. Logo após essa reunião, os Estados Unidos retiraram as tarifas extras que haviam sido anunciadas anteriormente para o Brasil, como retaliação a um processo que tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump.

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