Maior Centro de Detenção de Imigrantes dos EUA Enfrenta Processo por Abusos Graves no Texas
Um processo judicial foi aberto contra a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. A ação, movida por grupos de direitos humanos, alega violações de direitos no maior centro de detenção de imigrantes do país, localizado em El Paso, no Texas.
A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), em conjunto com outras organizações, apresentou a queixa em nome de quatro detentos. O foco é o acampamento East Montana, uma vasta estrutura de tendas montada durante a administração Trump como parte de sua política de deportação em massa.
Esta é a primeira ação judicial contra a instalação, que abriga mais de 2.700 pessoas. Desde sua inauguração, há nove meses, o local já registrou a morte de pelo menos três detentos. Conforme informação divulgada pela Reuters, a ação visa melhorar as condições para todos os que estão ali detidos.
Denúncias Detalhadas de Maus-Tratos e Negligência
O processo detalha uma série de abusos, incluindo confinamento em celas sem janelas, **agressões físicas por parte de guardas** e cuidados médicos e de saúde mental inadequados. Os detentos também relatariam o uso indiscriminado do isolamento e a exposição a doenças contagiosas, como sarampo e tuberculose.
Um dos autores da ação, o imigrante venezuelano Erik Ivan Rodriguez, relatou ter sofrido **violência física** enquanto era pressionado a assinar documentos de deportação. Gerald Akari Angye, de Camarões, também denunciou ter sido espancado por guardas. A ACLU, juntamente com a Human Rights Watch e o Texas Civil Rights Project, busca garantir que tais tratamentos desumanos cessem.
Mortes Suspeitas e Contradições Oficiais
A situação se agrava com as mortes ocorridas no centro. Geraldo Lunas Campos, imigrante cubano, faleceu em 3 de janeiro. O laudo do legista classificou a morte como **homicídio**, citando asfixia por compressão do pescoço e tronco. Essa conclusão contradiz as informações iniciais das autoridades de imigração, que atribuíram a morte a problemas de saúde.
Posteriormente, as autoridades alegaram que Campos tentou suicídio e morreu durante uma tentativa de resgate por guardas. No entanto, o processo da ACLU afirma que ele teria sido espancado até a morte após pedir medicação para asma. Outro detento morreu pouco após ser liberado, após ter tido, segundo a denúncia, acesso negado à quimioterapia para tratar câncer.
Inspeção Revela Violações de Padrões de Detenção
Uma inspeção realizada pelo Congresso americano em fevereiro deste ano nas estruturas temporárias do campo identificou **pelo menos 49 violações** dos padrões de detenção. Destas, 11 estavam relacionadas ao “uso da força e restrições” e cinco ligadas a “cuidados médicos”.
Apesar das denúncias e dos resultados da inspeção, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) negou as alegações, afirmando que nenhum detento estava sendo espancado, abusado ou privado de atendimento médico. Ele assegurou que, até 12 de março, não havia casos de sarampo no local e que o número de mortes sob custódia do ICE não aumentou durante o governo Trump.
O porta-voz reiterou que o ICE leva a sério a saúde e segurança de todos os detidos, e que seus padrões de detenção são mais rigorosos que os da maioria das prisões americanas para cidadãos dos EUA. As mortes em centros de detenção de imigrantes nos Estados Unidos atingiram, em 2025, o nível mais alto em 20 anos, à medida que o governo Trump ampliou o número de pessoas detidas por supostas violações.
