Ebola em Ituri: Médicos lutam contra surto raro com salários atrasados e falta de recursos no Congo

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Profissionais de saúde no Congo sofrem com falta de pagamento e recursos em meio a surto de Ebola

No leste do Congo, uma batalha árdua e desigual contra o ebola está em andamento. O Dr. Richard Lokudu, diretor médico do Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, relata a dura realidade enfrentada pela equipe de saúde: longas jornadas de trabalho, pouca ou nenhuma remuneração e a constante ameaça de contaminação.

O surto da rara variante Bundibugyo pegou a região de surpresa, espalhando-se por semanas sem detecção. Mongbwalu, uma área de mineração movimentada, tornou-se o epicentro, aumentando o risco de transmissão da doença, que ocorre pelo contato próximo com fluidos corporais de infectados.

A situação é agravada pelo ceticismo generalizado em relação à doença e pela falta de recursos essenciais, como máscaras e luvas, que estiveram em falta no início do surto. Profissionais de saúde e equipes de resposta já perderam suas vidas para o vírus, aumentando a apreensão da equipe.

Conforme informações divulgadas pela Associated Press, o Dr. Lokudu expressou sua frustração: “Não recebi minha ajuda de custo e o que aconteceu com outras pessoas também pode acontecer comigo. Apesar de todas as medidas de prevenção e controle de infecções que estamos implementando, não sabemos o que pode acontecer.” Ele enfatizou a necessidade de reconhecimento e remuneração regular para os trabalhadores da linha de frente.

Avanço silencioso e falta de preparo do sistema de saúde

A variante Bundibugyo do ebola demonstrou ter uma “grande vantagem inicial”, segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Hospitais na região lutaram para diagnosticar corretamente o tipo de ebola que já circulava há semanas antes da confirmação oficial em 15 de maio. A falta de investimento crônico no sistema de saúde congolês, que se arrasta por anos, contribuiu para a **deterioração do sistema de saúde**.

Rotina exaustiva e sacrifícios pessoais em Mongbwalu

A enfermeira Alice Bamuhinga descreveu a rotina extenuante em Mongbwalu. “Durante a primeira semana, nem sequer tivemos tempo de voltar para casa para comer. Na segunda semana foi a mesma coisa. Comemos apenas uma vez por dia, o equivalente ao café da manhã, mas à noite”, contou. A dedicação dos profissionais de saúde é notável, mas os **sacrifícios pessoais são imensos**.

Ceticismo e luto: o impacto do ebola nas famílias

A desconfiança em relação à doença e aos hospitais dificulta o trabalho de contenção. A história de Asero Jeanne, de 52 anos, ilustra essa realidade. Dois de seus cinco filhos morreram de ebola em duas semanas. Sua filha faleceu após semanas de alternância entre hospitais e casa, com a família inicialmente acreditando ser malária e recebendo conselhos para evitar o hospital.

“Vi cerca de 20 pessoas morrerem”, relatou Jeanne, expressando gratidão aos médicos por sua sobrevivência. A experiência dela evidencia a **tragédia pessoal e a dificuldade em aceitar a gravidade da doença** em meio à desinformação.

Esforços de contenção e desafios persistentes

No domingo, as autoridades congolesas divulgaram números alarmantes: 488 casos confirmados e 86 mortes até sexta-feira (5). A vizinha Uganda registrou 19 casos e duas mortes. A OMS lançou um plano de US$ 518 milhões para combater o surto, enfatizando a necessidade de compromisso político, financiamento e participação comunitária. No entanto, esforços de contenção são prejudicados por conflitos e ataques de militantes. “Apesar dos alertas que recebemos e das equipes que temos disponíveis, não temos meios para nos deslocar até o campo”, lamentou Dr. Lokudu, destacando que **alertas importantes não podem ser investigados** devido à falta de recursos para mobilização.

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