Líder do Irã acusa EUA de derrota e humilhação profunda após conflitos, em meio a tensões e busca por diálogo
O líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, utilizou as redes sociais nesta quinta-feira (4) para fazer duras críticas aos Estados Unidos e a Israel. As declarações surgiram um dia após o presidente americano, Donald Trump, expressar otimismo sobre um possível encontro e sobre as negociações em andamento entre os dois países.
Khamenei afirmou que os Estados Unidos foram derrotados em confrontos militares e que o país está sofrendo uma “humilhação profunda e significativa”. Ele acusou os EUA de tentarem reverter essa situação através da disseminação de “desespero, medo, desconfiança e discórdia” entre a população.
As falas do líder iraniano contrastam com as declarações de Trump, que indicou um avanço nas conversas e a possibilidade de um acordo. Acompanhe os detalhes deste cenário complexo nas relações entre Irã e EUA, conforme informações divulgadas pela mídia.
Críticas contundentes a EUA e Israel
Em sua mensagem, Motjaba Khamenei declarou que o “inimigo malicioso foi derrotado em seu confronto com as Forças Armadas”. Ele acrescentou que, após receber um “golpe decisivo”, tanto em combate militar quanto em manifestações populares, os Estados Unidos estariam experimentando uma “humilhação profunda e significativa”.
O aiatolá, que assumiu a liderança iraniana após o falecimento de seu pai no início de um conflito, também direcionou suas críticas a Israel. Ele descreveu o país como uma “base militar” construída pelos Estados Unidos ao longo dos últimos 80 anos.
“O imperialismo, liderado pelos EUA, construiu uma base militar chamada Israel ao longo dos últimos 80 anos. E eles não aceitam a existência de um Irã forte e independente na fronteira leste da falsa e ilegítima geografia de ‘Israel Maior'”, afirmou Khamenei, enfatizando que o imperialismo está disposto a “fazer qualquer coisa para impedir o progresso do Irã”.
Otimismo de Trump em meio a tensões
As declarações de Khamenei ocorrem em um momento de declarações aparentemente mais conciliadoras por parte do presidente dos Estados Unidos. Em entrevista na quarta-feira (3), Donald Trump afirmou que o Irã “concordou em não ter armas nucleares” e expressou o desejo de conhecer Motjaba Khamenei.
Trump se mostrou otimista quanto ao andamento das negociações, descrevendo a situação como “evoluindo rapidamente”. Ele mencionou que um acordo está em desenvolvimento e que, se concretizado, seria “ótimo”. Caso contrário, “faremos de outra maneira”, declarou o presidente americano.
Apesar do tom de Trump, um conselheiro militar de Khamenei, Mohsen Rezaei, postou em rede social ameaças de retaliação a qualquer ataque, contradizendo as falas otimistas. Rezaei afirmou que “cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones. O agressor será punido rapidamente”.
Cessar-fogo e o Estreito de Ormuz
Há três dias, Trump já havia mencionado a possibilidade de um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo. O presidente americano afirmou ter intermediado um impasse entre Israel e o grupo Hezbollah, no Líbano, para evitar a suspensão das negociações.
O Irã, no entanto, condicionou qualquer trégua com os Estados Unidos à implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, declarou que o fim dos ataques é “uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra”.
Baghaei também acusou os EUA de continuarem violando o cessar-fogo e ressaltou que o Irã defenderá sua segurança nacional. Irã e Estados Unidos mantêm um cessar-fogo desde 7 de abril, mas com trocas de ataques pontuais e o Estreito de Ormuz permanecendo fechado para navegação.
Programa nuclear como ponto central
O principal ponto de discórdia nas atuais negociações entre Irã e Estados Unidos gira em torno do programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos insistem que Teerã se comprometa a nunca desenvolver armas nucleares.
Por sua vez, o Irã alega que a questão nuclear não está em discussão no momento, indicando que as conversas se concentram em outros aspectos das relações bilaterais e regionais. A complexidade das negociações e as declarações conflitantes de ambas as partes mantêm a situação internacional em alerta.
