Tensões e futebol: Vistos para a Copa do Mundo do Irã nos EUA são confirmados após impasse
A Casa Branca confirmou que os jogadores da seleção iraniana que disputarão a Copa do Mundo receberam vistos para entrar nos Estados Unidos. A notícia surge a apenas 10 dias da estreia da equipe em Los Angeles, em um cenário marcado pelo conflito militar entre os dois países.
A liberação dos vistos ocorreu durante a noite de quinta-feira (4), após o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, ter informado que a equipe ainda não havia recebido a autorização. A federação iraniana da Copa do Mundo não comentou o assunto até o momento.
No entanto, a agência de notícias Fars reportou que alguns membros da equipe técnica e administrativa ainda não tiveram seus vistos emitidos, com a embaixada dos EUA se recusando a concedê-los. Conforme informação divulgada pela Reuters, a guerra entre os países adiciona uma camada geopolítica à Copa do Mundo, com ambos os lados usando o evento para demonstrações políticas.
Mudança de estratégia devido a vistos e tensões
Em meio à dificuldade com a obtenção dos vistos e um sentimento crescente no Irã de que a presença da equipe nos Estados Unidos deveria ser minimizada, Teerã negociou, em cima da hora, a transferência da base de treinos. A equipe, que inicialmente se prepararia no Arizona, agora utilizará instalações em Tijuana, no México, para reduzir ao máximo o tempo em solo americano.
A delegação iraniana tem previsão de pousar em Tijuana no início da manhã de domingo (7). O Irã fará sua estreia na Copa do Mundo em 15 de junho, enfrentando a Nova Zelândia em Los Angeles. Posteriormente, a equipe jogará contra a Bélgica na mesma cidade e, por fim, contra o Egito em Seattle.
Declarações e o contexto político da Copa do Mundo
O embaixador Pasandideh afirmou que os Estados Unidos nunca disseram formalmente que não queriam a equipe iraniana em seu território. Contudo, o secretário de Estado Marco Rubio informou a parlamentares que os EUA não permitiriam a inclusão de indivíduos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica na delegação iraniana. Em dezembro, o presidente da federação de futebol do Irã, Mehdi Taj, um ex-comandante da Guarda Revolucionária, teve sua entrada negada para o sorteio do torneio em Washington.
O Irã busca a paz através do esporte
Segundo Pasandideh, o desejo do Irã de competir na Copa do Mundo ressalta os esforços do país para chegar a uma resolução na guerra com Washington. Ele declarou, por meio de um intérprete, que a participação do Irã, mesmo em território considerado inimigo, demonstra a busca do país pela paz. As negociações de paz entre Irã e EUA têm avançado lentamente, com ambos os lados demonstrando cautela em direção a um acordo provisório, apesar dos contínuos ataques militares.
