O assalto aéreo que chocou o Brasil e as investigações que apontam para um esquema criminoso complexo envolvendo o PCC e um desembargador.
Em um evento que parece saído de um filme de ação, um avião da Vasp foi sequestrado em pleno voo por criminosos fortemente armados. O alvo principal era uma carga valiosa: nove malotes de dinheiro do Banco do Brasil, totalizando aproximadamente R$ 5,56 milhões. A operação, que parecia rotineira, se transformou em um audacioso assalto.
O voo 280, partindo de Foz do Iguaçu com destino a São Luís, transportava 61 passageiros, a maioria estrangeiros em turismo, e seis tripulantes. Cerca de 20 minutos após a decolagem, cinco criminosos renderam a tripulação e forçaram o comandante a desviar a rota, pousando em Porecatu, no norte do Paraná.
A ação rápida permitiu que os assaltantes levassem os malotes com apoio de veículos que já aguardavam no aeródromo. Felizmente, apesar do terror, não houve feridos ou mortos. As investigações subsequentes, no entanto, revelaram conexões surpreendentes, ligando o sequestro a figuras proeminentes do crime organizado e até a um magistrado. Conforme informações divulgadas pela Justiça Federal e pela Polícia Federal, o evento resultou na prisão de alguns envolvidos, e a investigação continua a desvendar todos os detalhes do plano.
Gerson Palermo: O traficante que orquestrou o sequestro e sua ligação com o PCC
Um dos nomes centrais na investigação é o de Gerson Palermo, apontado como um dos líderes do PCC. Palermo já possuía um histórico criminal extenso, com condenações por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, somando quase 60 anos de pena. Em 2020, ele foi beneficiado com prisão domiciliar, mas rompeu a tornozeleira eletrônica e permaneceu foragido até sua captura na Bolívia em maio de 2026.
A controvérsia da soltura: Desembargador investigado por conluio
A soltura de Palermo em 2020, sob decisão do desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, é um dos pontos mais sensíveis desta história. Maran determinou a ida de Palermo para prisão domiciliar monitorada por tornozeleira. Atualmente, o magistrado é investigado sob suspeita de ter agido em conluio com o sequestrador, que também é apontado como ligado ao PCC. Essa investigação adiciona uma camada de complexidade e preocupação ao caso.
O assalto em detalhes: Rota, carga e a execução do plano
O voo 280 da Vasp, operado por um Boeing 737, partiu de Foz do Iguaçu com escalas planejadas em Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília. A carga de R$ 5,56 milhões, transportada sob custódia de uma empresa de valores, era o principal objetivo da quadrilha. A ação foi meticulosamente planejada para explorar a vulnerabilidade da carga em um voo comercial, culminando no pouso forçado em Porecatu, norte do Paraná, para a subtração do dinheiro.
Consequências e condenações: O destino dos envolvidos
A Polícia Federal conduziu as investigações, que levaram à prisão de diversos envolvidos. Gerson Palermo foi condenado a 20 anos em regime fechado por sua participação no sequestro. Outro condenado, Marcelo Borelli, faleceu aos 38 anos no Paraná devido a complicações da Aids. A Justiça Federal identificou Palermo como um dos autores do sequestro, consolidando seu papel no crime. O caso ressalta a audácia do PCC e levanta sérias questões sobre o sistema judicial e a segurança de cargas valiosas em transporte aéreo.
