Trump declara otimismo em acordo “muito melhor” com Irã e aponta para resolução “relativamente rápida”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (20) que não se sente pressionado a fechar um acordo com o Irã, mas que um entendimento deve ser alcançado “relativamente rápido”. As declarações ocorrem em meio a incertezas sobre uma nova rodada de negociações e a poucos dias do fim do prazo do cessar-fogo entre os dois países.
Em publicações na rede social Truth Social, Trump rebateu o que chamou de “imprensa fake news”, negando estar sob “pressão” para um acordo. “ISSO NÃO É VERDADE! Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido”, escreveu.
O presidente americano também assegurou que o novo acordo será “muito melhor” que o Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), conhecido como acordo nuclear iraniano, negociado durante as administrações de Barack Obama e Joe Biden. “O ACORDO que estamos fazendo com o Irã será MUITO MELHOR do que o JCPOA”, declarou, criticando o acordo anterior como um “caminho garantido para uma arma nuclear”. Conforme informação divulgada pelo próprio Trump, o novo acordo visa impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
Cenário de tensões e negociações em aberto
As declarações de Trump acontecem em um momento de alta tensão e incerteza sobre a continuidade das negociações. Uma nova rodada de conversas entre Irã e EUA, prevista para iniciar nesta segunda-feira (20) no Paquistão, paira em dúvida. O Irã, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, informou ainda não ter decidido sobre a participação nas negociações, acusando Washington de não levar o diálogo a sério.
A urgência nas negociações é acentuada pela proximidade do fim do cessar-fogo, marcado para esta quarta-feira (22). O principal ponto de atrito entre os países tem sido o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. No fim de semana, um incidente envolvendo a interceptação de um navio iraniano pelas forças navais dos EUA aumentou o risco de rompimento do cessar-fogo.
Interceptação de navio e ameaças de Trump
O Comando Central do Exército dos Estados Unidos divulgou um vídeo mostrando militares desembarcando de rapel em um navio cargueiro iraniano, o Touska, no Golfo de Omã. Segundo Donald Trump, a embarcação desobedeceu a uma ordem de parada e tentou furar um bloqueio naval imposto pelos EUA, resultando em um “buraco” na casa de máquinas após ser atingida.
O Irã, por sua vez, classificou o ataque como uma violação do cessar-fogo e prometeu uma resposta. Teerã alega que o navio, vindo da China, tinha como destino um porto iraniano. Anteriormente, o Irã havia anunciado a reabertura do Estreito de Ormuz, mas voltou atrás após o bloqueio naval americano. No sábado (18), a Guarda Revolucionária iraniana atirou contra dois petroleiros indianos na região, ação criticada por Trump nas redes sociais como “uma violação total do nosso acordo de cessar-fogo”.
Delegação americana a caminho e ultimato no Estreito de Ormuz
Trump informou à rede de TV Fox News que um acordo com o Irã poderia ser assinado nesta segunda-feira (20) no Paquistão. Ao New York Post, ele confirmou que o vice-presidente, JD Vance, lideraria a delegação americana em direção a Islamabad, onde o Paquistão atua como mediador. Vance já liderou o grupo de negociadores americanos no primeiro ciclo de diálogo, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner.
No entanto, em declaração à Bloomberg, Trump considerou “altamente improvável” a extensão do cessar-fogo de duas semanas caso um acordo não seja alcançado antes de seu término. Ele também afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá bloqueado até que um acordo seja finalizado. A imprensa iraniana tem destacado a suspensão do bloqueio naval americano como condição prévia para as conversas.
