Israel contraria Trump e realiza ataques ao Irã, intensificando conflito na região
A tensão no Oriente Médio atingiu um novo patamar com Israel realizando ataques a “alvos militares” no Irã, na manhã desta segunda-feira, 7. A ação israelense ocorreu horas após o Irã ter lançado mísseis contra Israel, em retaliação a bombardeios anteriores no Líbano. Explosões foram ouvidas em cidades iranianas como Teerã, Tabriz e Isfahan, segundo a rede Al Jazeera.
A investida representa uma significativa escalada bélica e a quebra de um cessar-fogo estabelecido em abril. Esta é a primeira vez desde abril que Israel e Irã se atacam mutuamente. A situação se agrava pelo fato de ser a segunda vez em menos de 24 horas que Israel desafia diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com ataques na região.
Donald Trump havia tentado estabelecer um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, grupo que atua no Líbano, mas Israel desrespeitou o acordo bombardeando Beirute. Após esses bombardeios, o Irã reagiu lançando mísseis contra Israel. Conforme informação divulgada pelo site americano Axios, o presidente Trump ligou para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pedindo para que não houvesse resposta militar contra Teerã, mas foi ignorado.
Netanyahu ignora Trump e promete contra-ataque
Apesar do apelo de Donald Trump, Benjamin Netanyahu declarou que Israel contra-atacaria a retaliação iraniana. Trump, por sua vez, expressou sua oposição ao revide, afirmando ao jornal “Financial Times” que Netanyahu “não tinha opção” a não ser aceitar um acordo de paz entre Washington e Teerã. Segundo Trump, ele “dá as cartas” nas negociações, que ainda estão em fase de assinatura.
Ameaças iranianas e fechamento de espaço aéreo
A Guarda Revolucionária do Irã confirmou ter disparado contra uma base militar israelense. Não há registros de feridos nos bombardeios iranianos, e imagens nas redes sociais mostram o sistema Domo de Ferro interceptando mísseis sobre Israel. Em resposta aos ataques, o Irã declarou que as 19 bases americanas no Oriente Médio se tornaram “alvos legítimos”, estendendo a ameaça a ativos israelenses na região. Como medida de segurança, o Iraque informou o fechamento de seu espaço aéreo por 72 horas, e o Irã também suspendeu suas operações aéreas.
Desafios a Trump e trégua rompida no Líbano
O ataque israelense ao Líbano, que rompeu a trégua vigente, atingiu prédios em um subúrbio de Beirute, que Israel alega abrigar terroristas do Hezbollah planejando ataques. Esta ação, assim como a recente contra o Irã, representa um desafio direto às garantias de Trump de que Israel não voltaria a bombardear o Líbano. As divergências entre EUA e Israel sobre o conflito no Líbano já haviam gerado discussões entre os líderes, com Trump chegando a chamar Netanyahu de “completamente louco”.
Contexto da trégua e envolvimento de outros países
Trump havia afirmado na semana passada que Israel e o Hezbollah concordaram com uma trégua nos ataques no Líbano e no norte de Israel. No entanto, o Paquistão e o Irã insistem que o Líbano estava incluído na trégua, enquanto EUA e Israel argumentam que o acordo se aplicava apenas a ataques em território iraniano e em países do Golfo Pérsico. A luta de Israel contra o Hezbollah, grupo financiado pelo Irã, tem sido marcada por constantes ataques ao norte de Israel.
