Terras do ‘Índio do Buraco’ em RO Viram Parque Nacional: Um Legado de Isolamento e Preservação Ambiental

RONDONIA

Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru é criado em Rondônia, protegendo área de 8 mil hectares e a memória do último homem isolado.

A região de Rondônia onde o indígena conhecido como ‘Índio do Buraco’ ou ‘Índio Tanaru’ viveu em isolamento voluntário por quase três décadas, foi oficialmente transformada em parque nacional. O decreto, publicado no Diário Oficial da União, abrange cerca de 8 mil hectares espalhados por quatro municípios: Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste.

Esta medida visa não apenas preservar a memória do último sobrevivente de seu povo, cujo nome e etnia permanecem desconhecidos, mas também proteger um ecossistema de transição entre a Amazônia e o Cerrado, lar de espécies ameaçadas.

A criação do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru também resolve uma antiga disputa judicial pela posse das terras, que eram reivindicadas por fazendeiros. O decreto autoriza a desapropriação de propriedades privadas dentro dos limites do parque e prevê o uso das Forças Armadas, se necessário, para garantir a segurança da área. A informação foi divulgada pelo portal G1.

Preservando a Memória e a História do Isolamento

O indígena, que ficou conhecido mundialmente como ‘Índio do Buraco’ devido às escavações encontradas em suas habitações, resistiu ao contato com o mundo exterior por toda a sua vida. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) registrou 53 habitações com um padrão arquitetônico similar, sempre com uma única porta de entrada e um buraco no interior, cuja finalidade exata nunca foi desvendada.

Desde o primeiro avistamento por homens brancos em junho de 1996, a Funai realizou mais de 50 incursões de monitoramento na floresta. O indígena foi encontrado morto em seu território em agosto de 2022, aos cerca de 50 anos, como o último de seu povo, que, segundo a Funai, teve seus últimos membros assassinados em 1995.

Um Santuário Ecológico em Área de Transição

Além de honrar a história do ‘Índio Tanaru’, o novo parque nacional tem um papel crucial na conservação ambiental. A área está localizada em um ponto de convergência entre a Amazônia e o Cerrado, abrigando uma rica biodiversidade, incluindo espécies de fauna ameaçadas como o macaco-aranha, o macaco-barrigudo e a onça-pintada.

A criação do parque também estabelece uma zona de amortecimento ao redor da unidade de conservação. Esta área possui regras específicas para minimizar impactos externos e proteger o ecossistema de ações humanas prejudiciais, garantindo a sustentabilidade a longo prazo.

Gestão Compartilhada para um Futuro Sustentável

A gestão do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru ficará sob a responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em colaboração estreita com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Essa parceria visa unir esforços para a proteção integral do território.

A iniciativa representa um marco na proteção de terras indígenas isoladas e na conservação da biodiversidade brasileira, assegurando que a memória do ‘Índio do Buraco’ e seu legado de resistência permaneçam vivos, enquanto a natureza da região é salvaguardada para as futuras gerações.

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