Colômbia decide neste domingo o futuro político do país em um segundo turno acirrado, marcado pela disputa entre o candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro e um “outsider” ultradireitista que busca consolidar a onda conservadora na América Latina, com o apoio explícito de Donald Trump.
A Colômbia retorna às urnas neste domingo, 21 de julho, para o crucial segundo turno das eleições presidenciais. A disputa se transformou em um embate direto de influências entre o atual presidente, Gustavo Petro, e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou apoio ao candidato da extrema direita, Abelardo de la Espriella. O resultado deste pleito pode solidificar a crescente força de governos conservadores em toda a América Latina.
Em um movimento que reflete sua estratégia de intervenção em pleitos regionais desde seu retorno à Casa Branca, Donald Trump manifestou publicamente seu apoio a Abelardo de la Espriella. O candidato, que liderou o primeiro turno, agora enfrenta Iván Cepeda, apoiado por Petro e visto como o continuador de seu projeto político. A Constituição colombiana impede a reeleição de Petro, que deixará o cargo em 2022.
Este confronto é descrito pela imprensa colombiana como um dos mais antagônicos da história recente do país. A disputa coloca em lados opostos visões de nação e de futuro para a Colômbia, com implicações que vão além das fronteiras nacionais, conforme informações divulgadas pelo jornal “El Tiempo”.
Abelardo de la Espriella: O “Salvador” Anti-establishment com Apoio Internacional
Abelardo de la Espriella, um advogado de 47 anos e empresário sem experiência política prévia, posiciona-se como um “salvador anti-establishment”. Suas propostas de campanha ecoam discursos da extrema direita latino-americana, com foco em combate ao crime organizado, cortes em programas governamentais e impostos, e revitalização da exploração petrolífera. Sua cidadania naturalizada nos EUA, onde viveu em Miami e é um republicano registrado, reforça sua conexão com o espectro conservador internacional.
Espriella capitalizou a insatisfação popular com a segurança pública, prometendo uma ofensiva militar e a construção de dez megaprisionais. Admirador das políticas de Donald Trump e Nayib Bukele, de El Salvador, ele culpa diretamente Petro pelos problemas econômicos e de segurança do país. Suas propostas incluem a redução do tamanho do Estado em 40%, a ampliação da base tributária e o corte de impostos corporativos para estimular o setor privado.
Iván Cepeda: A Continuidade do Projeto de Petro e os Desafios da Gestão Atual
Em contraponto, Iván Cepeda, um filósofo de 63 anos e senador com histórico na defesa dos direitos humanos, busca consolidar o projeto político de Gustavo Petro. Ele destacou os avanços sociais promovidos pelo governo atual, o que inicialmente o alçou como favorito em pesquisas de intenção de voto. No entanto, Cepeda também herdou o desgaste da gestão de Petro, especialmente no que tange ao combate ao crime organizado, um ponto fraco que Espriella soube explorar.
Cepeda apostou em um caminho de continuidade das negociações de paz com grupos armados, uma estratégia que ganhou reforço com a recente entrega de armas por cerca de cem guerrilheiros, resultado de tratativas com o governo Petro. Essa abordagem contrasta diretamente com a retórica de linha dura de seu oponente.
O Peso da Violência e a Onda Conservadora na América Latina
A violência emerge como a principal preocupação entre os eleitores colombianos, superando a economia, que, apesar de fragilizada pela pandemia e pelo déficit fiscal, viu avanços como o aumento real do salário mínimo em 75% e a redução do desemprego sob o governo Petro. A percepção de insegurança nas cidades, com aumento de extorsões e pequenos delitos, e a expansão de grupos armados em áreas rurais, impactaram a população.
A vitória de Espriella no primeiro turno surpreendeu muitos, inclusive o próprio Petro, que chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Cepeda. Para o segundo turno, pesquisas como a do instituto Guarumo / Ecoanalítica para “El Tiempo” projetam Espriella à frente, com 52,6% das intenções de voto contra 45% de Cepeda.
Um Triunfo para a Direita Regional e Novos Horizontes Geopolíticos
Caso Abelardo de la Espriella vença, a onda de governos de extrema direita na América Latina, que já inclui nomes como Nayib Bukele em El Salvador, Javier Milei na Argentina e José Antonio Kast no Chile, conquistaria seu maior êxito até o momento. Esse cenário poderia isolar ainda mais os governos de esquerda na região e redefinir as alianças geopolíticas do continente, consolidando uma nova era para a direita na América Latina.
Cerca de 40 milhões de eleitores colombianos estão aptos a votar, e o resultado, que pode ser conhecido ainda neste domingo, terá repercussões significativas para o futuro político e social da Colômbia e de toda a América do Sul.
