Milagre na Venezuela: Mãe e bebê de 18 dias são resgatados após 24 horas sob escombros de terremoto em La Guaira

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Em meio à tragédia, um fio de esperança surge em La Guaira, Venezuela, onde uma mãe e seu recém-nascido foram resgatados com vida após mais de um dia soterrados.

A Venezuela vive dias de luto e desespero após uma série de terremotos devastadores que deixaram mais de 1.400 mortos e milhares de feridos e desaparecidos. A cidade de La Guaira, uma das mais atingidas, tem sido palco de angústia, mas também de milagres que reacendem a esperança.

Na última quinta-feira (25), um pai e equipes de resgate ouviram um choro tênue e uma voz fraca vindo dos escombros de um prédio de oito andares que havia desabado. Era Dayana Patiño e seu filho de apenas 18 dias, que, contra todas as probabilidades, haviam sobrevivido por mais de 24 horas sob os destroços.

A história de Dayana e seu bebê é um raio de luz em meio à devastação. Enquanto especialistas alertam para a baixa probabilidade de encontrar mais sobreviventes, a determinação de familiares e voluntários em La Guaira, e em outras cidades afetadas, continua a mover montanhas, ou melhor, escombros, na busca por entes queridos. Conforme informações divulgadas, o resgate ocorreu após 12 horas de buscas incessantes.

O som da vida sob os escombros

A busca por Dayana Patiño e seu bebê recém-nascido se intensificou na manhã de quinta-feira. Após 12 horas de procura infrutífera, a equipe de resgate e o pai da criança começaram a ouvir os sons que mudariam tudo: o choro do bebê e a voz da mãe. Merly Andreina Quintero, voluntária que participou do resgate, relatou à imprensa que era possível ouvir a voz de Dayana e o choro do bebê desde as primeiras horas do dia 25.

A mãe e o filho estavam completamente soterrados, impossibilitados de se mover e, segundo voluntários, Dayana não conseguia sequer amamentar o bebê. A situação era tão crítica que ambos já haviam sido dados como mortos por alguns.

Uma operação de resgate emocionante e complexa

A partir do momento em que os sons foram detectados, a operação de resgate ganhou um novo fôlego. Sob a orientação de socorristas, voluntários começaram a remover os escombros com as próprias mãos e ferramentas improvisadas, abrindo caminho para a mãe e o bebê. O trabalho era árduo e perigoso, com equipes golpeando estruturas desabadas com marretas pesadas e, em seguida, pedindo silêncio para tentar captar qualquer sinal de vida.

Por volta da uma da madrugada de sexta-feira, o primeiro milagre aconteceu: o bebê foi retirado dos escombros e entregue ao pai, que chorava de emoção, em meio a aplausos e gritos de alegria dos presentes. Uma hora depois, Dayana Patiño também foi resgatada.

Esperança em meio à devastação

Mãe e filho foram levados para uma clínica em Caracas, pois as unidades de saúde de La Guaira estavam sobrecarregadas. Embora outros resgates bem-sucedidos tenham ocorrido, o cenário geral na Venezuela, especialmente em La Guaira, continua desolador. O chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Mark Fletcher, estima que haja mais de 50 mil desaparecidos, descrevendo a operação de resgate como “muito, muito complexa” e alertando que o número de vítimas pode aumentar significativamente.

Enquanto equipes especializadas de resgate, nacionais e internacionais, chegam ao local, familiares, vizinhos e voluntários continuam a escavar incansavelmente, na esperança de encontrar mais pessoas com vida. Histórias como a de Marjosly Salazar, que procura seu neto Gael de cinco meses, e de tantos outros, demonstram a força da esperança em meio à maior sequência de terremotos que atinge a Venezuela em mais de um século, em um país já fragilizado por uma década de colapso econômico e crise social.

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