Acordo EUA-Irã em Risco: Tensão Volta a Subir com Ataques e Ameaças em Menos de Duas Semanas

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Acordo EUA-Irã em Risco: Tensão Volta a Subir com Ataques e Ameaças em Menos de Duas Semanas

Um memorando de entendimento assinado em 17 de junho entre Estados Unidos e Irã, com o objetivo de encerrar hostilidades e reduzir tensões na região, encontra-se em xeque menos de duas semanas após sua formalização. Divergências sobre a navegação no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos entre Israel e o Hezbollah transformaram o acordo em um palco de impasses, ataques e ameaças, esvaziando a promessa de trégua.

A situação escalou rapidamente, com ambos os lados trocando acusações de descumprimento. Ataques a alvos iranianos por parte de Washington, lançamento de mísseis e drones iranianos contra bases americanas no Golfo e novas ameaças de Donald Trump à liderança iraniana pintam um quadro de risco de confronto direto, contrastando com as expectativas iniciais de paz.

Acompanhe a cronologia detalhada que mostra como um acordo promissor se deteriorou em tão pouco tempo, conforme divulgado pelo g1.

Assinatura e Promessas Iniciais do Memorando

A assinatura do memorando ocorreu em etapas, começando eletronicamente e culminando na formalização oficial em 17 de junho. O principal objetivo era a interrupção imediata das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a criação de mecanismos para diminuir as tensões. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, foram os primeiros a assinar eletronicamente.

No dia seguinte, Donald Trump confirmou o acordo durante a cúpula do G7, enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, o classificou como um passo importante, mas ressaltou a necessidade de mais avanços para uma paz duradoura. A formalização presencial ocorreu com Trump em Versalhes e Pezeshkian em Teerã.

Cláusulas do Acordo e Primeiros Impasses

O memorando previa o fim imediato das hostilidades, a reabertura do Estreito de Ormuz, a suspensão do bloqueio naval americano, a liberação de ativos iranianos congelados e um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões. Contudo, Teerã logo anunciou a possibilidade de fechar o estreito, alegando que os EUA não garantiram o cessar-fogo no Líbano, onde Israel continuava ataques contra o Hezbollah.

A resposta de Trump foi incisiva, ameaçando que, caso o estreito fosse fechado, o Irã “não teria mais um país”. Paralelamente, JD Vance iniciou negociações técnicas com representantes iranianos, com mediação do Catar e do Paquistão, na tentativa de preservar o acordo.

Escalada de Tensão e Ataques Diretos

A navegação no Estreito de Ormuz tornou-se novamente um ponto crítico, elevando os riscos para as embarcações. A Agência Marítima da ONU lançou um esquema de evacuação para cerca de 11 mil marinheiros. O UKMTO informou que uma embarcação da Evergreen Marine foi atingida no estreito.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou que a cobrança de taxas pelo Irã em águas internacionais poderia causar “caos total”. Em resposta, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã declarou que a passagem segura dependeria de coordenação e autorização de Teerã. A ONU suspendeu o plano de evacuação diante do aumento dos riscos.

Confronto Militar e Ameaças de Trump

A crise se intensificou neste sábado (27), quando um petroleiro panamenho foi atingido por um drone iraniano. Em retaliação, os EUA realizaram ataques aéreos contra alvos militares iranianos em Sirik. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou ter realizado ataques “defensivos”, enquanto a mídia estatal iraniana classificou a ação como uma “resposta decisiva” aos bombardeios americanos.

Na madrugada seguinte, o Irã lançou mísseis e drones contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein. Nas redes sociais, Donald Trump ameaçou “concluir militarmente o trabalho”, declarando que, se isso ocorresse, a República Islâmica do Irã “deixaria de existir”. Apesar de um acordo de desescalada entre Israel e o governo libanês, Israel retomou ataques contra o Hezbollah.

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