Silvio Persivo questiona o Brasil que se tornou, marcado por populismo e falta de preparo econômico, e aponta para a necessidade de um futuro promissor através de mudanças.
Em uma análise contundente, o economista e escritor Silvio Persivo reflete sobre as promessas não cumpridas de um Brasil melhor, contrastando o idealismo do passado com os desafios econômicos e políticos do presente. Ele revisita a crença em utopias socialistas e a desilusão posterior, criticando a persistência de discursos ultrapassados.
Persivo lamenta que o país tenha se afastado do potencial visionado por intelectuais como Stefan Zweig, que cunhou a expressão “País do Futuro”. A realidade brasileira, marcada pelo “jeitinho” e pela falta de respeito às regras, teria obscurecido essa promessa, um aspecto que pode ter contribuído para o desfecho trágico do próprio Zweig.
A crítica se estende ao cenário político e econômico atual. Conforme aponta Silvio Persivo, o Brasil embarcou em um modelo de desenvolvimento estatal e focado no consumo, com mais de 60% do PIB dependente dessa dinâmica e forte apelo ao crédito. O especialista, em artigo para a Folha Rondoniense, argumenta que tal modelo é insustentável a longo prazo.
O Legado de um Desenvolvimento Insuficiente
Segundo a análise de Persivo, um desenvolvimento duradouro exige mais do que apenas o fomento ao consumo. É fundamental o crescimento da produção, a formação de poupança sólida, o controle rigoroso dos gastos públicos e a garantia de segurança jurídica. Estas, segundo ele, foram condições negligenciadas durante aproximadamente 22 anos de governos petistas, período que, em sua visão, também engloba o governo de Michel Temer, dada sua vice-presidência.
Educação e Investimento: Pilares Ignorados
O economista enfatiza que a construção de um futuro sólido passa, invariavelmente, pela atenção a dois pilares essenciais: educação e investimento. Ele aponta que a formação bruta de capital, em apenas 16,8% do PIB em 2025, e um crescimento médio de apenas 2,4% ao longo de 24 anos, com investimento abaixo dos 17% registrados em 2022, indicam um risco real de repetir o ciclo do “voo de galinha”.
Este ciclo, caracterizado por breves períodos de crescimento seguidos por estagnação, é um sinal de alerta para o futuro do país. A falta de investimento em infraestrutura e capital humano compromete a capacidade do Brasil de gerar riqueza de forma sustentável.
Um Chamado à Mudança e à Esperança
Diante deste cenário, Silvio Persivo expressa preocupação com a insistência em fórmulas econômicas já demonstradas como ineficazes, citando a proposta de mais quatro anos do atual governo como um risco de repetir erros passados. Ele contrasta a esperança que Stefan Zweig um dia ofereceu ao Brasil com a realidade atual, onde essa esperança parece ter se esvaído.
O autor conclama por uma **mudança significativa**, vendo na eleição de 25 de outubro uma oportunidade crucial para o Brasil alterar seu rumo. A esperança de um futuro melhor, segundo ele, reside na possibilidade de construir um novo projeto de país, capaz de reacender a capacidade de sonhar com um amanhã mais promissor para a juventude.
(*) Silvio Persivo é economista e escritor, conforme divulgado pela Folha Rondoniense.
