Brasil figura entre os países com maior incidência de ataques de tubarão, segundo levantamento internacional
Um recente levantamento divulgado pelo Arquivo Internacional de Ataques de Tubarão (ISAF), mantido pelo Museu de História Natural da Flórida, nos Estados Unidos, coloca o Brasil em posição de destaque no ranking global de ataques de tubarão. Os dados, que consideram incidentes registrados desde 1580 até o ano passado, focam em ataques considerados “não provocados”, ou seja, aqueles que ocorrem no habitat natural do animal sem qualquer intervenção humana.
No último ano, o ISAF confirmou um total de 65 mordidas de tubarão não provocadas e 29 mordidas provocadas em todo o mundo, resultando em 12 mortes confirmadas, sendo 9 delas classificadas como não provocadas. A metodologia de coleta de dados envolve voluntários globais e pode apresentar divergências em relação a números oficiais de cada país.
O Brasil figura entre as nações com maior número de registros, o que acende um alerta para a segurança em áreas costeiras. A cidade de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, foi palco de um ataque recente, envolvendo uma criança de 11 anos, reforçando a atenção para as praias pernambucanas, que concentram um número significativo de incidentes. Conforme informação divulgada pelo ISAF, o Brasil contabiliza 107 ataques não provocados.
O Ranking Global de Ataques de Tubarão
Os Estados Unidos lideram o ranking com 1441 ataques não provocados registrados, seguidos pela Austrália, com 642 casos. A República da África do Sul aparece em terceiro lugar, com 255 incidentes. O Brasil se encontra na quarta posição, com 107 ataques não provocados. Outros países como Nova Zelândia, Papua Nova Guiné e Ilhas Mascarenhas (Ilha da Reunião) também aparecem na lista.
O levantamento abrange outros 50 países com menos de 5 ataques registrados, demonstrando a amplitude do estudo. É importante ressaltar que a coleta de dados é realizada por observadores regionais voluntários, o que pode gerar variações em comparação com estatísticas oficiais de cada nação.
Pernambuco e os Ataques de Tubarão
No estado de Pernambuco, os incidentes com tubarões são uma preocupação constante. Desde 1992, foram registrados 82 incidentes, sem contar o caso mais recente em Jaboatão dos Guararapes. A Praia Del Chifre, em Olinda, já foi palco de fatalidades, como a morte de um adolescente de 13 anos. Em Fernando de Noronha, uma turista sofreu uma mordida de tubarão-lixa em janeiro, mas o ferimento não foi considerado grave.
Os últimos incidentes no Grande Recife, antes do caso de Jaboatão, ocorreram em 2023, quando surfistas e adolescentes foram vítimas de ataques em um curto intervalo de tempo nas praias de Del Chifre e Piedade. Esses eventos reforçam a necessidade de atenção e conscientização sobre os riscos em áreas de convivência com tubarões.
Compreendendo os Ataques Não Provocados
O ISAF define ataques “não provocados” como aqueles que ocorrem no ambiente natural do tubarão, sem que haja qualquer ação humana que tenha iniciado o confronto. Isso significa que mordidas ocorridas em cativeiro, ou em situações onde o ser humano provocou o animal, não entram nesta contagem. A distinção é crucial para entender o comportamento natural dos tubarões e os riscos associados à interação humana em seus habitats.
Apesar da alta incidência em alguns países, o número de mortes anuais por ataques de tubarão é relativamente baixo quando comparado a outras causas de morte acidental. No entanto, a natureza súbita e assustadora desses incidentes gera grande repercussão e atenção pública, como evidencia a preocupação com os ataques de tubarão no Brasil.
