Brasileiro “Delta” troca restaurante em RO pela linha de frente na Ucrânia: “Estou do lado certo”

RONDONIA

Ex-dono de restaurante em RO troca a culinária pela guerra na Ucrânia e opera drones na linha de frente.

Antônio Piancó, conhecido pelo codinome “Delta”, deixou para trás uma vida estável como dono de um restaurante japonês em Ariquemes, Rondônia, para se voluntariar na guerra da Ucrânia. Sem nunca ter servido ao Exército Brasileiro, ele agora utiliza suas habilidades como piloto de drones e atirador esportivo em um dos conflitos mais intensos do mundo.

A decisão de se alistar não foi motivada por dinheiro, pelo contrário, Antônio afirma ter gastado mais de R$ 3,5 mil do próprio bolso em equipamentos para poder participar ativamente dos combates. Sua jornada no front é compartilhada nas redes sociais, onde exibe fotos e vídeos em uniforme camuflado, mostrando a realidade do dia a dia em meio à guerra.

Apesar do perigo e da distância de sua família no Brasil, Antônio conta com o apoio deles. Sua mãe, irmão, cunhada e sobrinhos, embora inicialmente preocupados, agora o incentivam em sua missão. Conforme divulgado pelo g1, ele reforça que a vontade de ajudar é o principal motor para quem considera seguir seus passos, alertando que “se for por dinheiro, nem tente”.

Motivação e Habilidades em Campo

Antônio Piancó, antes de se tornar “Delta”, comandou um restaurante de comida japonesa por seis anos em Ariquemes. Sua experiência militar é inexistente, mas sua habilidade como atirador esportivo e sua destreza com drones o tornaram um voluntário valioso na linha de frente. Ele usa essas competências para operar drones em missões de reconhecimento e combate.

Nas redes sociais, ele compartilha vislumbres de sua rotina, com imagens que o mostram equipado com fuzil, capacete e óculos de proteção, imerso no cenário de guerra. A localização exata de seu batalhão é mantida em sigilo por questões de segurança, para evitar ataques russos.

Apoio Familiar e Planos para o Futuro

A decisão de Antônio de lutar na Ucrânia, embora tenha gerado apreensão inicial em sua família, hoje conta com o incentivo deles. “No começo ficaram assustados e com um pouco de medo, mas sempre me mandam palavras de incentivo”, relatou.

Mesmo vivendo a dura realidade da guerra, o ex-empresário já vislumbra o futuro pós-conflito. Ele expressa um forte desejo de retornar ao Brasil e abrir um novo restaurante de sushi, desta vez em João Pessoa, na Paraíba. “Eu amo o Brasil e vou voltar, se Deus quiser”, declarou.

Contexto do Conflito na Ucrânia

O conflito entre a Ucrânia e a Rússia teve início em 2014, com manifestações populares que levaram à queda do governo ucraniano, aliado de Moscou. A Rússia, em resposta, passou a apoiar movimentos separatistas em regiões de maioria russa, culminando na anexação da Crimeia e no controle de partes da região de Donbass.

Desde o início da invasão em larga escala, os números de baixas têm sido alarmantes. Segundo a ONU, pelo menos 15.172 civis ucranianos morreram nos primeiros quatro anos de conflito. Em fevereiro de 2026, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky mencionou 55 mil soldados mortos, enquanto estimativas do CSIS sugerem um número muito maior, podendo chegar a 140 mil baixas militares. Do lado russo, a BBC estima ao menos 160 mil militares mortos, com o CSIS calculando até 325 mil baixas entre fevereiro de 2022 e dezembro de 2025. O total de mortos e feridos, civis e militares, pode atingir 1,8 a 2 milhões de pessoas até o final de março, representando uma perda irreparável.

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