Búfalos invasores na Amazônia: ICMBio testa abate em massa para erradicar ameaça ecológica em Rondônia

RONDONIA

ICMBio avança em teste de abate de búfalos invasores na Amazônia para conter avanço ecológico

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) concluiu a primeira fase de uma campanha experimental de abate de búfalos invasores em áreas protegidas de Rondônia. A ação visa testar métodos eficientes e seguros para a erradicação desses animais, que se reproduzem sem controle e causam sérios danos ambientais.

Mais de 300 búfalos foram abatidos nesta etapa inicial, que utilizou abordagens terrestre, aquática e aérea. Os resultados coletados são cruciais para a elaboração de um plano de erradicação. A meta é eliminar cerca de 10% do rebanho total, o equivalente a 500 animais, até o final do ano.

A operação, conduzida por controladores de fauna especializados, foi retomada em 18 de maio após uma suspensão judicial, quando a Justiça Federal reconheceu o caráter científico e a essencialidade do projeto piloto. Conforme informação divulgada pelo ICMBio, esta iniciativa é fundamental para responder a questões técnicas que subsidiarão um plano de erradicação consistente.

Impacto ambiental dos búfalos descontrolados na Amazônia

Os búfalos, por não serem nativos do Brasil, não possuem predadores naturais na região amazônica. Essa ausência de controle natural leva a uma reprodução descontrolada, gerando **graves impactos ambientais**. Entre os principais problemas estão a extinção de espécies da fauna e flora nativas e a alteração de ecossistemas sensíveis, como os campos naturalmente alagados, que são parte integrante da biodiversidade local.

Projeto de erradicação em Rondônia: uma operação multifacetada

A ação ocorre em áreas críticas como a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D’Óleo, localizadas no oeste de Rondônia. Esta região é um ponto de convergência de três biomas importantes: a Floresta Amazônica, o Pantanal e o Cerrado. As reservas biológicas representam a categoria de proteção ambiental mais restritiva no estado.

O projeto de erradicação foi dividido em duas fases, sincronizadas com o ciclo de chuvas. A primeira etapa, realizada durante o período de cheia, aproveitou as características alagadas dos campos da Rebio Guaporé. A segunda campanha está prevista para ocorrer durante a estação seca, entre agosto e setembro.

Abate como única alternativa viável, segundo especialistas

O biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, destacou que o abate é, no momento, a **única alternativa viável** para solucionar a questão. Ele explicou que a logística para retirar os animais vivos ou mortos de áreas tão isoladas e de difícil acesso é inviável. Além disso, devido à falta de controle sanitário na criação e desenvolvimento desses animais, a carne não pode ser aproveitada para consumo humano.

Ação judicial e colaboração para controle de fauna invasora

O rebanho de búfalos selvagens invasores também é alvo de uma Ação Civil Pública. O Ministério Público Federal (MPF) requer que o governo de Rondônia e o ICMBio garantam a erradicação e o controle desses animais na região. O ICMBio desenvolveu a pesquisa em colaboração com a Universidade Federal de Rondônia (Unir), responsável pela análise sanitária dos animais abatidos, e uma empresa especializada que voluntariamente realiza o abate.

Os pesquisadores envolvidos monitoram a capacidade diária de abate, observam o comportamento dos búfalos e as condições ambientais que impactam a operação, além de mapear os desafios logísticos e operacionais. O objetivo é coletar dados precisos para subsidiar um plano de erradicação seguro e eficaz para a fauna invasora.

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