Chefe de Segurança do Irã Ameaça Bloquear Estreito de Ormuz e Atacar Vizinhos que Apoiarem Trump

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Irã intensifica retórica contra EUA e aliados regionais em meio a tensões econômicas.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, elevou o tom das ameaças contra países vizinhos que possam apoiar a “guerra econômica” declarada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Rezaei afirmou que o Irã considera inimigos aqueles que se unirem à ofensiva americana e prometeu retaliações severas.

A declaração, divulgada pela agência Iran International e reportada pela mídia estatal iraniana, surge como uma resposta direta ao anúncio de Trump de promover “a operação econômica mais devastadora já adotada contra qualquer país”. O republicano pretende isolar o Irã em uma escala sem precedentes, impondo consequências econômicas “tremendas” a qualquer nação que ofereça suporte ao país persa.

As palavras de Rezaei indicam uma escalada nas tensões, com o Irã disposto a usar o controle sobre o Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte global de petróleo, como ferramenta de pressão. A ameaça de bloquear o estreito e atacar outras rotas de exportação de petróleo visa demonstrar a capacidade iraniana de causar disrupções significativas no mercado energético mundial, conforme informado pela agência Iran International.

Ameaça direta aos vizinhos e ao fluxo de petróleo

Em declarações à mídia estatal, Mohsen Rezaei foi explícito: “Dissemos a todos os países ao nosso redor que não se juntem aos Estados Unidos em sua guerra econômica, caso contrário, os consideraremos inimigos”. Ele detalhou as consequências, afirmando que “Se os países vizinhos do Irã cooperarem com os americanos na guerra econômica, nem uma gota de petróleo sairá pelo Estreito de Ormuz, e também atacaremos outras rotas pelas quais o petróleo é exportado”.

Rezaei ressaltou que o Irã não busca expandir o conflito, mas assegurou que “se os países vizinhos ao Irã cooperarem com os americanos na guerra econômica, atingiremos seus interesses”. Essa postura reflete a determinação iraniana em responder a qualquer ação percebida como hostil por parte dos Estados Unidos e seus aliados regionais.

Impacto econômico e parceiros comerciais do Irã

A eficácia de uma guerra econômica contra o Irã, que já enfrenta sanções internacionais, é um ponto de interrogação. No entanto, o país mantém uma extensa rede de parceiros comerciais, impulsionada por sua posição como importante produtor de petróleo. Em 2022, o Irã exportou produtos para 147 países, segundo o Banco Mundial. A China figura como o principal parceiro comercial, com um volume de negócios de US$ 22 bilhões em exportações iranianas em 2022. A Índia aparece em segundo lugar.

Outros parceiros importantes incluem Alemanha, Coreia do Sul e Japão, todos aliados dos Estados Unidos. O Brasil, embora não esteja entre os 20 principais parceiros comerciais do Irã, é um destino significativo para exportações brasileiras na região, com destaque para milho, soja e açúcar. Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do Irã, principalmente ureia, pistache e uvas secas.

Narrativas em conflito e a busca por novas alianças

Em meio às ameaças de Trump, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, declarou que as falas do republicano têm motivado outros países a buscar o Irã para a criação de “novos acordos de segurança e cooperação econômica”. Ghalibaf criticou os EUA por colocarem a segurança de seus aliados em risco e por desrespeitarem seus interesses em prol de Israel.

Ghalibaf também defendeu uma mudança na abordagem diplomática iraniana, citando violações de compromissos por parte dos EUA durante negociações. “O Irã de hoje não é o Irã de antes da guerra”, afirmou, sinalizando uma postura mais assertiva e possivelmente mais independente nas relações internacionais do país.

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