China sanciona ministros do Paraguai e de Belize em retaliação por laços com Taiwan
A China anunciou nesta segunda-feira, 12, a imposição de sanções contra o ministro das Comunicações do Paraguai e o ministro das Relações Exteriores de Belize. A medida visa punir os países por manterem relações diplomáticas com Taiwan, território que Pequim considera uma província separatista e sob sua soberania. Paraguai e Belize figuram entre os poucos países que ainda reconhecem formalmente Taiwan em detrimento da República Popular da China.
As sanções, que incluem a proibição de entrada na China continental, Hong Kong e Macau, além de restrições a transações financeiras e cooperação com entidades chinesas, têm um forte caráter simbólico. Analistas apontam que o objetivo é enviar uma mensagem clara aos aliados restantes de Taiwan, em um contexto de crescente pressão diplomática exercida por Pequim para isolar a ilha.
A China tem intensificado seus esforços para reduzir o número de países que mantêm relações diplomáticas com Taiwan. Recentemente, a nação insular de Nauru, no Pacífico, rompeu laços com Taipé em 2024, seguindo o exemplo de Honduras no ano anterior. A política de “uma só China” é um dos pilares da política externa chinesa, e qualquer país que deseje estabelecer relações diplomáticas com Pequim deve romper os laços com Taiwan.
Conforme informação divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da China, as sanções foram motivadas pela “soberania e segurança nacional”, acusando alguns políticos de Belize e do Paraguai de agirem de forma “anti-China” ao defenderem a manutenção das relações com Taiwan.
Encontros diplomáticos recentes sob o escrutínio chinês
As sanções ocorrem após uma série de encontros entre autoridades paraguaias e belizenhas com representantes taiwaneses. Em junho, o ministro paraguaio Gustavo Villate reuniu-se com o vice-ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Chen Ming-chi, no Paraguai. No mês passado, o ministro das Relações Exteriores de Belize, Francis Fonseca, encontrou-se com seu homólogo taiwanês, Lin Chia-lung, em Belize.
Pouco antes do anúncio das sanções chinesas, a embaixada de Belize em Taiwan publicou em sua página no Facebook uma mensagem celebrando o 37º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, expressando votos por um “futuro de crescimento, oportunidades e amizade duradoura”.
Sanções simbólicas com impacto político
Embora as sanções sejam em grande parte simbólicas, dado que os ministros dos países aliados de Taiwan geralmente não viajam para a China, a medida serve como um alerta. Anteriormente, sanções semelhantes foram aplicadas a políticos ocidentais que expressaram apoio a Taiwan. A China busca, com essa ação, pressionar ainda mais os 12 países que ainda mantêm laços diplomáticos com a ilha.
A luta diplomática de Taiwan no cenário internacional
Taiwan, que possui um governo democrático, rejeita veementemente a reivindicação de soberania da China. A ilha tem enfrentado um crescente isolamento diplomático imposto por Pequim, que utiliza seu poder econômico e político para persuadir países a mudarem seu reconhecimento diplomático. A estratégia chinesa visa minar a legitimidade internacional de Taiwan e fortalecer sua própria posição como potência global.
Nem o Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação do Paraguai, nem o Ministério das Relações Exteriores de Belize, nem o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan emitiram comentários imediatos sobre as sanções impostas pela China.
