Pequenos empreendedores de Porto Velho demonstram cautela com a Copa do Mundo de 2026, mas oportunidade surge na inércia dos concorrentes
A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar cifras bilionárias no varejo brasileiro, mas a maioria dos pequenos negócios em Porto Velho ainda não se preparou para capitalizar com o evento. Um levantamento recente aponta que apenas uma parcela minoritária dos empreendedores possui planos concretos para aumentar as vendas durante o período.
O estudo, realizado pela GestãoClick com sua base de clientes, revela que 59% dos entrevistados não planejam ações específicas ou não veem sentido em investir esforços voltados para a Copa. Essa hesitação, no entanto, pode se transformar em uma oportunidade valiosa para aqueles que decidirem agir.
A falta de preparo da concorrência abre um cenário menos disputado para empresas que adotarem estratégias simples, mas eficazes. A informação foi divulgada pela coluna Teia Digital, da Folha Rondoniense, com autoria de Silvio Persivo.
Oportunidade na falta de planejamento
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que a Copa do Mundo de 2026 possa gerar cerca de R$ 4,32 bilhões adicionais no varejo brasileiro. Contudo, um levantamento da GestãoClick indica que apenas 15% dos pequenos negócios têm um plano em execução para aproveitar essa injeção econômica.
A maioria dos empreendedores, 59% dos entrevistados, não pretende realizar ações específicas ou não enxerga valor em direcionar esforços para o evento. Nena Matos, da GestãoClick, ressalta que “Existe uma oportunidade relevante de consumo concentrada em um período curto e previsível. Quem se organiza com antecedência, ajusta estoque, prepara campanhas e acompanha seus indicadores tende a disputar um mercado que muitos concorrentes estão deixando passar”.
Estratégias simples para um mercado menos competitivo
Uma das principais conclusões do levantamento é que a maior oportunidade para os pequenos negócios pode residir justamente na apatia de seus concorrentes. Com quase seis em cada dez empreendedores sem um plano específico para a Copa, empresas que implementarem ações pontuais podem se destacar.
Ações como campanhas temáticas, combos promocionais, reforço de estoque e ampliação dos horários de atendimento podem criar um ambiente menos competitivo para a conquista de consumidores durante o período do mundial.
Endividamento em queda em Porto Velho
Em um cenário econômico desafiador, Porto Velho registrou uma queda no número de endividados em maio, em contraste com a média nacional. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela CNC em conjunto com a Fecomércio/RO, apontou que 86,9% das famílias estavam endividadas, uma leve redução em relação a abril e ao ano anterior.
O percentual de famílias com contas atrasadas também diminuiu, assim como o número de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas. Esses dados, embora não diretamente ligados à Copa, indicam um consumidor local que pode estar com maior cautela, mas com alguma margem para novas despesas.
Alta mortalidade de empresas ligada à má gestão
Paralelamente, a Receita Federal aponta que seis em cada dez empresas fecham antes de completar cinco anos de atividade no Brasil. Embora o ambiente econômico, a alta carga tributária e a burocracia sejam fatores contribuintes, a ausência de planejamento, a gestão financeira deficiente e a falta de análise de mercado são apontadas como causas significativas.
Muitos empreendedores operam no limite, sem plena ciência de seus problemas financeiros e administrativos. Essa realidade, muitas vezes, leva à culpabilização exclusiva do ambiente externo, ignorando a necessidade de melhorias internas na gestão.
