Crise do Ueno Bank no Paraguai: Fundo Garantidor em Risco e Impacto para Milhares de Depositantes
A crise que abala o Ueno Bank, no Paraguai, acende um alerta sobre a solidez do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) do país. Uma análise preliminar aponta que a intervenção e o pagamento aos clientes do banco falido podem consumir mais da metade dos recursos disponíveis no fundo, gerando preocupações sobre a capacidade de cobertura em futuros eventos.
A situação levanta questionamentos sobre a estabilidade do sistema financeiro paraguaio e os mecanismos de proteção aos depositantes. Com 97% dos clientes do Ueno tendo direito à recuperação integral de seus recursos, o impacto direto no FGD é significativo, exigindo atenção e possíveis medidas de recomposição.
A resolução do caso Ueno Bank se desenha como um teste crucial para as autoridades paraguaias e para a confiança dos investidores no país. A forma como o governo e o Banco Central gerenciarão essa crise definirá a percepção de segurança e estabilidade do mercado financeiro local nos próximos anos.
Ueno Bank: Um Gigante em Crise que Ameaça o Fundo Garantidor
Segundo os dados mais recentes, referentes a setembro de 2026, o valor total dos depósitos garantidos do Ueno Bank alcançava 5,08 trilhões de guaranis. Esse montante representa aproximadamente 53% dos 9,54 trilhões de guaranis administrados pelo FGD no mesmo período. A projeção considera o pagamento integral dos valores protegidos pela garantia.
É importante notar que este cálculo representa o custo potencial máximo, não necessariamente o valor final desembolsado. Uma parte dos recursos pode ser recuperada durante o processo de liquidação do Ueno Bank e repassada para outra instituição financeira, amenizando o impacto direto sobre o fundo garantidor.
Como Funciona a Proteção aos Depositantes no Paraguai
O FGD paraguaio opera de forma semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) brasileiro. No Paraguai, a cobertura é de 228,3 milhões de guaranis por depositante, o equivalente a 75 salários mínimos, o que corresponde a cerca de R$ 203 mil. Essa garantia abrange contas correntes, poupanças, depósitos em dólar e aplicações em depósitos a prazo, como os Certificados de Depósito de Ahorro (CDA).
Uma estimativa preliminar do Banco Central do Paraguai indica que 97% dos depositantes do Ueno teriam direito à recuperação integral de seus recursos. Contudo, em termos de valor, apenas 30% dos depósitos totais do banco estavam cobertos pelo limite da garantia. Essa discrepância se deve à concentração de valores maiores em contas que ultrapassam o limite legal de ressarcimento.
Pagamento em Etapas e Recuperação de Valores
O pagamento aos depositantes do Ueno Bank está sendo realizado em etapas. A primeira fase, iniciada nesta quinta-feira (5), concentra-se em clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis, que não possuam dívidas com o banco e tenham contas em outras instituições financeiras do país. Os recursos serão depositados diretamente nas contas dos clientes, mesmo que em outras instituições.
Para aqueles que não possuem conta em outro banco, o regulador permite a abertura automática de uma nova conta, sem a exigência da documentação usual. Os pagamentos serão efetuados em guaranis, convertidos pela cotação da data da resolução do banco, mesmo que os depósitos originais fossem em moeda estrangeira. Os valores que excedem o limite de garantia não têm ressarcimento assegurado e dependerão do sucesso do processo de liquidação.
Impacto no Sistema Financeiro e Avaliação da Moody’s
A agência de classificação de riscos Moody’s considera a resolução do Ueno Bank um teste significativo para o sistema financeiro paraguaio. Embora o risco de contágio para outros bancos seja visto como administrável, a agência alerta para possíveis atrasos ou perdas para empresas e grandes depositantes, o que poderia afetar a atividade econômica do país.
O FGD paraguaio, administrado diretamente pelo Banco Central, foi criado em 2003 com financiamento público e privado. Instituições financeiras contribuem obrigatoriamente com 0,12% dos depósitos médios a cada trimestre. Caso os recursos se mostrem insuficientes, a legislação prevê mecanismos de financiamento público e a possibilidade de novas contribuições do setor bancário para recompor o fundo utilizado.
