Disputa por Essequibo ganha palco na ONU com broche de Delcy Rodríguez, intensificando tensão com Guiana
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, chamou a atenção durante sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas ao usar um broche que exibe um mapa da Venezuela com a incorporação da região de Essequibo. A atitude reforça a posição de Caracas sobre o território, que é internacionalmente reconhecido como parte da Guiana e é palco de uma disputa acirrada devido às suas vastas reservas de petróleo.
A Venezuela tem intensificado suas reivindicações sobre Essequibo desde 2023, quando o governo de Nicolás Maduro realizou um referendo e promulgou uma lei para criar uma nova província venezuelana no território. Essa ação gerou preocupação e alerta em países vizinhos, como o Brasil, que ampliou a presença militar em suas fronteiras com a Venezuela e a Guiana.
A comunidade internacional, em sua maioria, não reconhece a soberania venezuelana sobre Essequibo, mantendo o apoio à Guiana. A polêmica em torno do broche de Delcy Rodríguez evidencia a complexidade e a sensibilidade da questão territorial, que envolve não apenas história e soberania, mas também um potencial econômico significativo com as descobertas de petróleo.
O broche e a reafirmação territorial venezuelana
Em seu discurso na ONU, Delcy Rodríguez não hesitou em mencionar a questão de Essequibo. Ela declarou: “Não posso deixar de mencionar (…) nossa reafirmação dos direitos históricos da Venezuela sobre a região do Essequibo e nosso apelo à República Cooperativa da Guiana para que resolva a situação e retome as negociações, conforme estipulado pelo Acordo de Genebra”.
A Venezuela contesta a **Sentença Arbitral de Paris de 1899**, que estabeleceu a fronteira atual. O governo venezuelano argumenta que essa decisão não foi justa e que o território, que representa cerca de 70% da área total da Guiana, lhe pertence por direito histórico. A adoção de um mapa oficial que inclui Essequibo como parte da Venezuela, promovida pelo regime chavista, é uma demonstração clara dessa política.
Essequibo: um território cobiçado por suas riquezas
A região de Essequibo, localizada na porção oeste da Guiana, abrange aproximadamente 159 mil km², uma área maior que a da Inglaterra e do estado brasileiro do Ceará. A importância estratégica e econômica de Essequibo se acentuou drasticamente a partir de 2015, com a descoberta de **enormes reservas de petróleo** na área, especialmente em sua plataforma continental.
Estimativas apontam para cerca de 11 bilhões de barris de petróleo na Guiana, muitos deles offshore, próximos a Essequibo. Esse boom petrolífero transformou a Guiana no país sul-americano com o **crescimento econômico mais acelerado** dos últimos anos, intensificando o interesse venezuelano sobre o território.
Reações internacionais e escalada de tensões
A posição da Venezuela em relação a Essequibo tem gerado apreensão internacional. A comunidade global, incluindo os Estados Unidos, reitera o reconhecimento de Essequibo como parte da Guiana. Em dezembro, os EUA anunciaram a realização de **exercícios militares na Guiana**, incluindo na própria região de Essequibo, o que foi visto como um sinal de apoio e dissuasão.
Em resposta, o presidente venezuelano Nicolás Maduro assinou decretos para incorporar formalmente o território. O Brasil, por sua vez, aumentou a vigilância em suas fronteiras, demonstrando preocupação com a possibilidade de um conflito regional que pudesse afetar seu território, já que o norte de Roraima faz divisa tanto com a Venezuela quanto com a Guiana.
O Acordo de Genebra e a busca por negociações
Delcy Rodríguez fez um apelo explícito por negociações bilaterais, citando o Acordo de Genebra de 1966. Segundo ela, “os acordos que perduram são aqueles que surgem de negociações bilaterais, e não aqueles que envolvem organizações externas”. Essa declaração sugere que a Venezuela prefere um diálogo direto com a Guiana, sem a interferência de organismos internacionais ou tribunais, para resolver a disputa territorial sobre Essequibo.
