Diabo, sapato e bomba: os discursos polêmicos que marcaram a Assembleia Geral da ONU

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A Assembleia Geral da ONU: palco de discursos memoráveis e polêmicos ao longo das décadas

A Assembleia Geral da ONU, que reúne líderes de 193 países membros, é um dos palcos mais importantes do cenário internacional. O evento, que começa nesta terça-feira (21) em Nova York, acontece em meio a conflitos, crises humanitárias, mudanças climáticas e tensões entre potências globais. O tema deste ano, “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”, reflete os desafios atuais.

Ao longo de sua história, a Assembleia Geral testemunhou momentos que transcenderam a diplomacia tradicional, transformando-se em episódios marcantes e, por vezes, controversos. Disputas geopolíticas e rivalidades entre nações frequentemente resultaram em discursos que geraram repercussão mundial.

Esses eventos, que vão desde acusações diretas a gestos simbólicos, demonstram a intensidade dos debates e a paixão envolvida nas discussões sobre o futuro do planeta. Conforme informações divulgadas, é possível relembrar alguns desses momentos que se tornaram parte da história das Nações Unidas.

Chávez chama George W. Bush de ‘diabo’ em 2006

Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 2006, quando o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de ter cheiro de enxofre. As relações entre os dois países estavam em um dos pontos mais tensos, com Chávez alegando que Bush apoiou uma tentativa de golpe de Estado na Venezuela em 2002. Após o discurso de Bush, Chávez subiu à tribuna, fez o sinal da cruz e declarou que o local ainda “cheirava a enxofre”, uma referência direta ao diabo.

O sapato de Khrushchev em 1960

De volta a 1960, em um dos momentos mais tensos da Guerra Fria, o líder soviético Nikita Khrushchev protagonizou outro incidente memorável. Durante uma sessão da Assembleia Geral, após o representante das Filipinas criticar a política soviética, Khrushchev teria reagido batendo um sapato sobre a mesa. Embora não haja registro em vídeo, o próprio Khrushchev, anos depois, assumiu a responsabilidade pelo gesto em suas memórias. A ONU considera o episódio cercado de dúvidas, mas o fato de ter batido na mesa é confirmado.

Fidel Castro e o discurso mais longo da história

Fidel Castro, conhecido por seus longos pronunciamentos, marcou presença em 1960 com o discurso mais extenso da história da Assembleia Geral. Apesar de prometer não demorar, o líder cubano falou por mais de quatro horas e meia. Atualmente, os discursos de chefes de Estado têm uma orientação para durarem cerca de 15 minutos, com os mais longos não passando de uma hora e meia.

Trump e a ‘bomba’ de Netanyahu

Em 2017, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o líder norte-coreano, Kim Jong-un, de “homem-foguete” e ameaçou destruir completamente a Coreia do Norte caso os EUA fossem forçados a defender a si ou a seus aliados. Já em 2012, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, utilizou um cartaz com a réplica de uma bomba para alertar sobre o programa nuclear iraniano. A imagem, embora criticada na época por sua simplicidade, tornou-se um símbolo da tensão na região.

Outros momentos marcantes

O líder líbio Muammar Kadhafi, em 2009, chegou a jogar no chão a Carta da ONU durante um discurso de 100 minutos criticando a organização. Em 2010, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad causou polêmica ao afirmar que o atentado de 11 de setembro de 2001 foi um complô dos Estados Unidos, o que levou delegações de diversos países a abandonarem a sessão.

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