Colômbia em Votação: Advogado de ultradireita e senador de esquerda disputam o segundo turno presidencial
A Colômbia se dirige às urnas neste domingo para definir quem ocupará a cadeira presidencial nos próximos quatro anos. A disputa final se concentra entre dois perfis políticos diametralmente opostos: o senador de esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro, e o advogado de ultradireita Abelardo De la Espriella. Este segundo turno representa um momento crucial para o futuro do país, definindo os rumos das políticas sociais e econômicas.
O vencedor herdará a presidência de Gustavo Petro, que encerra seu mandato em 2026. A Constituição colombiana, assim como a brasileira, não permite a reeleição presidencial, forçando uma nova escolha popular para a liderança do país. As projeções indicam um cenário acirrado, com as pesquisas eleitorais apontando uma ligeira vantagem para Abelardo De la Espriella.
A decisão nas urnas definirá se a Colômbia seguirá com políticas de continuidade, alinhadas à plataforma de Petro, ou se dará um giro à direita, com propostas de maior rigor e intervenção militar. Acompanhe os perfis e propostas dos candidatos que disputam o segundo turno, conforme informações divulgadas pela imprensa colombiana.
Iván Cepeda: O Senador da Paz e da Continuidade à Esquerda
Com 63 anos, o senador Iván Cepeda, filiado ao partido Pacto Histórico, representa a voz da esquerda colombiana. Sua trajetória política é marcada pela atuação em prol da paz, especialmente por seu papel fundamental nas negociações que levaram ao acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), firmado em 2016. Cepeda defende a manutenção e a ampliação das políticas implementadas pelo governo Petro.
Apesar do histórico acordo, que previu o desarmamento das Farc, o senador reconhece que grupos dissidentes ainda representam um desafio à segurança nacional. Em sua plataforma, Cepeda propõe o diálogo como principal ferramenta para a resolução de conflitos armados. Ele também advoga pelo aumento do salário mínimo, a redução de privilégios para congressistas e uma reforma agrária significativa.
Cepeda também esteve no centro de um processo judicial que envolveu o ex-presidente Álvaro Uribe. Uribe acusou Cepeda de conspirar para ligá-lo a grupos paramilitares, mas a Justiça, após anos de investigação, concluiu que o senador agiu dentro de suas funções parlamentares. Embora Uribe tenha sido posteriormente absolvido de outras acusações em 2025, o caso marcou a carreira de ambos os políticos.
Abelardo De la Espriella: O Advogado da Ultradireita e a Promessa de Mão Dura
Em segundo lugar nas pesquisas, surge o advogado Abelardo De la Espriella, de 47 anos, líder do movimento de ultradireita Defensores da Pátria. Ele se declara admirador de líderes como Donald Trump e Nayib Bukele, figuras proeminentes da direita global. De la Espriella ganhou destaque na reta final da campanha com um discurso firme e promessas de ação enérgica.
Diferentemente de Cepeda, De la Espriella não aposta no diálogo para solucionar a questão das guerrilhas, propondo em vez disso uma ofensiva militar. Sua campanha enfrentou momentos de tensão, com o assassinato de dois de seus colaboradores em maio, e o próprio candidato alegou ter sido alvo de um plano de inteligência para assassiná-lo.
Conhecido como “El Tigre”, De la Espriella também defende a saída da Colômbia de organismos internacionais como a ONU e a OEA, argumentando que estas instituições promovem agendas de esquerda. Em contraste com seu discurso radical, o candidato mantém um site de vendas, o “De la Espriella Style”, onde comercializa produtos diversos, incluindo bebidas, música e roupas, nas quais ele próprio atua como modelo.
A trajetória de De la Espriella também inclui controvérsias, como declarações públicas de cunho sexual e a defesa de Alex Saab, empresário colombiano acusado pelos Estados Unidos de ser um intermediário do governo venezuelano. De la Espriella afirma que sua relação profissional com Saab terminou há seis anos, antes das acusações formais.
