Mãe relata falas preocupantes de Lindsay Clancy sobre os filhos antes do crime
A mãe de Lindsay Clancy, Paula Musgrove, revelou em depoimento que a filha, acusada de matar os três filhos, confessou ter pensamentos de machucá-los cerca de um mês antes da tragédia. As declarações foram feitas durante o julgamento que apura a morte das crianças em janeiro de 2023, em Massachusetts, nos Estados Unidos.
Lindsay Clancy, ex-enfermeira de 34 anos, é acusada de estrangular os filhos Dawson (7 anos), Lennon (5) e Cora (2). A defesa não contesta o ato, mas alega que Clancy sofria de psicose pós-parto e não deveria ser considerada criminalmente responsável. A promotoria, por outro lado, sustenta que os crimes foram premeditados.
Segundo Paula Musgrove, o quadro mental de Lindsay começou a se agravar em outubro de 2022, cerca de três meses antes das mortes. Em dezembro do mesmo ano, a enfermeira compartilhou com a mãe e o então marido, Patrick Clancy, suas angústias e medos crescentes, que culminaram em uma confissão alarmante. Essas informações foram divulgadas pelo portal G1.
Revelações alarmantes em dezembro de 2022
Paula Musgrove contou que, em dezembro de 2022, percebeu a filha muito nervosa e que Lindsay expressou a necessidade de contar algo importante. A mãe relatou que, na ocasião, Lindsay Clancy confessou ter pensamentos de machucar os próprios filhos. A ex-enfermeira também demonstrava medo de dormir sozinha, estava cada vez mais paranoica e acreditava que os medicamentos que tomava estavam afetando sua mente.
Em mensagens apresentadas durante o julgamento, Lindsay expressou para a mãe: “Eu estou muito doente. Alguma coisa está errada”. Ela descreveu ter tido uma “insônia horrível” e que o remédio para ansiedade receitado por um médico parecia piorar o seu estado, o que a deixava “assustada” e com receio de ficar sozinha.
Psicose pós-parto e busca por tratamento
A defesa de Lindsay Clancy argumenta que a ex-enfermeira sofria de psicose pós-parto, uma condição de saúde mental rara associada ao estresse, privação de sono e alterações hormonais após o parto. O advogado de defesa também mencionou que Clancy tinha transtorno bipolar e que antidepressivos prescritos após o nascimento do terceiro filho teriam agravado seu quadro.
Ao longo do julgamento, testemunhas informaram que Lindsay Clancy buscou tratamento para problemas de saúde mental e chegou a se internar voluntariamente em um hospital psiquiátrico. No entanto, foi relatado que ela nem sempre aderiu aos medicamentos prescritos para insônia, ansiedade e depressão, pois temia estar se tornando viciada em alguns deles.
Atendimento fragmentado e dúvidas sobre a gravidade
A defesa também levantou a questão de que Lindsay Clancy estaria sendo medicada em excesso e que o atendimento médico recebido era fragmentado, com profissionais que não compartilhavam informações sobre o tratamento. Houve relatos de altas rápidas de unidades psiquiátricas, e em um dos casos, o acesso a um nível de atendimento superior foi negado por falta de um plano concreto de suicídio.
A promotoria, por sua vez, questionou a gravidade da tentativa de suicídio de Clancy, apresentando mensagens e fotos que a mostravam realizando atividades cotidianas no dia das mortes, como levar os filhos ao médico e brincar com eles na neve. Médicos que a atenderam afirmaram não ter notado sinais de mania ou psicose, mas confirmaram que ela falava repetidamente sobre pensamentos suicidas.
O horror do pai ao encontrar os filhos
No início do julgamento, Patrick Clancy, o pai das crianças, relatou o momento de desespero ao retornar para casa e encontrar os três filhos mortos. Uma ligação para o serviço de emergência 911, reproduzida durante o depoimento, capturou o horror do pai ao verificar a cena e gritar: “Ela matou as crianças!”.
Patrick Clancy também contou ter recebido uma ligação de Lindsay uma semana após as mortes, onde ela teria falado sobre o que havia passado e mencionado ter ouvido uma voz masculina que a pressionava a agir naquele momento, sob o risco de perder a chance.
