EUA bombardeiam navio com petróleo iraniano no Golfo de Omã; Irã fecha Estreito de Ormuz e alerta para ‘consequências graves’

BRASIL

Golfo de Omã se torna palco de escalada militar com EUA atacando navio e Irã fechando Estreito de Ormuz

O Golfo de Omã registrou novos e tensos confrontos nesta semana, com os Estados Unidos confirmando um ataque a um petroleiro que, segundo o Comando Central americano (CENTCOM), transportava petróleo do Irã e tentava furar um bloqueio militar na região. A ação elevou as tensões no Estreito de Ormuz, que o Irã declarou estar completamente fechado “até novo aviso”.

O ataque ao navio M/T Jalveer, de bandeira da Guiné-Bissau, ocorreu à 0h30 do horário de Brasília. De acordo com o CENTCOM, a embarcação violou o bloqueio contra o Irã ao tentar transportar petróleo iraniano. A tripulação teria se recusado a cumprir ordens das forças americanas, levando ao disparo de dois mísseis Hellfire contra a casa de máquinas do navio.

Essa foi a terceira embarcação comercial detida pelas forças americanas na área nesta semana. O CENTCOM também confirmou ataques aos navios M/T Marivex e M/T Settebello, ambos de bandeira de Palau, na segunda e terça-feiras, respectivamente. Conforme informação divulgada pelo Comando Central dos EUA, desde 13 de abril, foram desativadas 9 embarcações e redirecionadas 135.

Tragédia e protesto da Índia

No ataque ao navio Settebello, três marinheiros indianos perderam a vida. O governo da Índia confirmou as mortes nesta quinta-feira e expressou protesto contra os ataques a embarcações que contavam com cidadãos do país a bordo. Atualmente, segundo o Ministério das Relações Exteriores indiano, 13 embarcações do país estão retidas no Estreito de Ormuz, com 562 marinheiros a bordo, embora mais de 18 mil indianos trabalhem na região do Golfo.

EUA defendem bloqueio ‘imparcial’ e Irã acusa Washington

O CENTCOM, em seu comunicado, defendeu que o bloqueio está sendo aplicado “imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entram ou saem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”. A nota do Ministério das Relações Exteriores iraniano, contudo, condenou veementemente os ataques, afirmando que as ofensivas norte-americanas tornaram o cessar-fogo de quase dois meses “praticamente sem sentido”.

O Irã declarou que a “responsabilidade pelas consequências extremamente graves desse ato criminoso recai sobre os líderes dos Estados Unidos”. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou, por sua vez, que forças do país realizaram ataques retaliatórios à Quinta Frota dos EUA, sediada no Bahrein.

Trump fala em conversas com o Irã, Teerã nega

Em declarações à rede de TV Fox News, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter conversado com autoridades iranianas, que supostamente teriam solicitado a interrupção dos bombardeios. Trump descartou o envolvimento de Israel na missão e não afastou a possibilidade de novas ações militares. Teerã, no entanto, negou a ocorrência de tais conversas.

Explosões e combates reportados na região

Agências estatais iranianas reportaram diversas explosões em cidades portuárias como Bandar Abbas, Minab, Kargan e Sirik, na região do Estreito de Ormuz. Defesas aéreas foram ativadas em Isfahan, e a agência Mehr falou em “combates no mar” entre as forças iranianas e americanas, sem fornecer mais detalhes. O ataque americano ocorreu poucas horas após Trump ter anunciado que o Exército dos EUA voltaria a atacar o Irã ainda no mesmo dia, prometendo “fortes claros” em “instalações-chave” do país, segundo o Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *