Ex-delegado de Rondônia é condenado a 45 anos de prisão por homicídio e tentativa de assassinato após disputa por porteira em reserva extrativista.
Um ex-delegado da Polícia Civil de Rondônia, Tadeu Goes Aragão, foi sentenciado a 45 anos de reclusão em regime fechado pelo Tribunal do Júri. A condenação se deu pelos crimes de homicídio e tentativa de assassinato contra três irmãos e um adolescente. O motivo, segundo a acusação, foi uma disputa por uma porteira que restringia o acesso do ex-delegado a uma área que ele ocupava dentro da Reserva Extrativista Jaci-Paraná.
O caso, que gerou grande repercussão, ocorreu em Porto Velho. A construção da porteira pelas vítimas visava impedir a ação de invasores na área de proteção ambiental. Conforme relatos, a situação escalou para violência extrema quando Tadeu Goes Aragão, ainda ocupando cargo de autoridade policial na época, decidiu tomar a justiça com as próprias mãos, resultando em tragédia.
As informações detalhadas sobre o crime e a condenação foram divulgadas pelo g1, que acompanhou o julgamento. A sentença de 45 anos de prisão representa um marco na justiça local e reforça a gravidade dos atos cometidos pelo ex-delegado, que agora terá que cumprir pena em regime fechado, sem possibilidade de recorrer em liberdade. A defesa já manifestou intenção de contestar a decisão judicial.
O embate pela porteira que culminou em tragédia
A tensão entre o ex-delegado Tadeu Goes Aragão e as vítimas se intensificou devido à construção de uma porteira. A estrutura impedia o livre trânsito de Aragão, que ocupava terras na Reserva Extrativista Jaci-Paraná. A área em questão é uma unidade de conservação ambiental, e a construção da porteira, segundo as vítimas, era uma medida de segurança para coibir invasões.
No dia do crime, a situação tomou um rumo drástico. O ex-delegado, em uma ação premeditada, trocou as placas de seu veículo para evitar a identificação por radares. Ele se dirigiu ao local onde a porteira estava instalada e, sem hesitação ou discussão, efetuou disparos contra as vítimas, mesmo com um dos irmãos se dispondo a abrir a passagem.
Vítimas atingidas e as consequências permanentes
O ataque resultou na morte de Vanderlei Brandão, que não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. Outras três pessoas, incluindo um adolescente que hoje tem 19 anos, foram atingidas pelos disparos, mas conseguiram escapar com vida. A violência do ataque deixou sequelas físicas permanentes no jovem sobrevivente, impactando sua qualidade de vida.
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) foi o responsável pela denúncia que levou o caso a julgamento. A promotoria apresentou provas contundentes que embasaram a condenação do ex-delegado, destacando a brutalidade e a falta de motivos aparentes para a ação violenta, uma vez que a vítima se propôs a resolver a situação pacificamente.
Perda do cargo e prisão do ex-delegado
Tadeu Goes Aragão, que na época do crime era titular da Delegacia de Polícia de Alto Paraíso, foi alvo de investigação interna pela Polícia Civil. Como consequência de seus atos, ele foi exonerado do cargo. O ex-delegado encontra-se preso desde outubro de 2022, e a decisão do Tribunal do Júri impede que ele responda ao processo em liberdade.
A defesa de Tadeu Goes Aragão afirmou ao g1 que pretende recorrer da decisão. O processo judicial ainda pode ter novos desdobramentos, mas a condenação atual representa um duro golpe para o ex-autoridade policial e um alívio para as famílias das vítimas, que buscam por justiça diante da brutalidade do crime. A comunidade local acompanha o caso com atenção, reforçando o debate sobre a segurança em áreas de reserva e a conduta de agentes públicos.
