FIFA x UEFA: Infantino oferece parte de fundo bilionário em meio a guerra de acusações e plano polêmico da FFE

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FIFA e Uefa travam batalha pública com troca de acusações e ofertas financeiras em meio a crise

A relação entre a Fifa e a Uefa atingiu um novo patamar de tensão nesta semana, com a entidade máxima do futebol agindo em duas frentes. Em uma jogada diplomática, a Fifa enviou uma carta às confederações continentais, ao mesmo tempo em que respondeu agressivamente a um processo movido pela Uefa nos Estados Unidos.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, acusou a Uefa de promover uma “campanha de desinformação” e de adotar medidas judiciais “de má-fé”. Paralelamente, a Fifa demonstrou abertura para utilizar parte de seu robusto fundo financeiro para apoiar as 211 federações nacionais, um movimento que pode ser interpretado como uma resposta estratégica.

Essa oferta de fundos surge em um momento delicado para Infantino, após o fracasso de sua proposta para a criação da FFE (Fifa Football Enterprise), uma empresa que visava gerenciar direitos comerciais e ter participação de capital privado. A ideia, que previa uma avaliação de US$ 20 bilhões, gerou forte oposição e foi oficialmente abortada, culminando na maior crise enfrentada pelo presidente da Fifa.

Infantino propõe uso de parte do fundo da Fifa para federações

Em uma mensagem direcionada aos presidentes das confederações continentais, Gianni Infantino expressou sua disposição em destinar parte do fundo da Fifa para as federações nacionais. O presidente agradeceu as sugestões recebidas e propôs submetê-las ao Conselho da Fifa, composto por 37 membros, para deliberação.

Essa iniciativa foi uma resposta direta a Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, e Victor Montagliani, presidente da Concacaf. Ambos haviam solicitado que a Fifa utilizasse cerca de US$ 2,1 milhões de suas reservas, que somam aproximadamente US$ 6 bilhões. Embora Infantino não tenha se comprometido com um valor específico, ele instruiu o secretário-geral da entidade a compilar as propostas para votação.

A data da reunião do Conselho, 15 de outubro, é considerada estratégica, pois antecede o prazo de inscrição para as eleições presidenciais da Fifa, marcadas para 18 de março. A oferta de recursos pode ser vista como uma forma de garantir apoio, especialmente considerando que o voto de cada federação nacional tem o mesmo peso, independentemente de seu ranking.

Uefa acusa Fifa de desinformação e má-fé em processo judicial

A resposta da Fifa ao processo movido pela Uefa nos Estados Unidos foi contundente. A entidade classificou a petição da Uefa como contendo “inúmeras declarações falsas ou enganosas” e negou veementemente as acusações de que Infantino teria buscado benefício pessoal com a proposta da FFE.

A Fifa reiterou que o plano da FFE estava sujeito à aprovação das associações-membro e do Conselho da Fifa, e que estaria sob a supervisão de ambos os órgãos. As alegações da Uefa sobre violação de leis ou princípios éticos foram categoricamente refutadas pela entidade máxima do futebol.

Em resposta, Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, declarou que “o rei está nu”, fazendo uma alusão ao conto de fadas “A Roupa Nova do Rei”. Ceferin criticou o uso de termos como “desenvolvimento” e “democratização” pela Fifa, afirmando que essas palavras são usadas para mascarar a realidade oposta, como a tentativa de “vender parte do futuro do futebol”.

Crise da FFE: O plano que abalou a presidência de Infantino

A proposta de criação da FFE, anunciada em julho, representou a maior crise para Gianni Infantino desde que assumiu a presidência da Fifa em 2016. A ideia de uma empresa com participação minoritária de capital privado, avaliada em US$ 20 bilhões, gerou uma onda de reações negativas, com federações importantes, como a da Inglaterra e da França, retirando seu apoio.

Três confederações continentais, incluindo a AFC (Ásia), além da Uefa e da Concacaf, manifestaram forte oposição ao projeto. A percepção de uma “venda da Copa do Mundo” foi o principal gatilho para a oposição generalizada, forçando a Fifa a recuar oficialmente da proposta.

Apesar da turbulência, levantamentos indicam que Infantino possui os votos necessários para sua reeleição, e nenhuma outra candidatura foi anunciada até o momento. No entanto, a disputa com a Uefa e a gestão da crise da FFE continuam a moldar o cenário da governança do futebol mundial.

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