Futebol e Violência Contra a Mulher: Estudo Revela Aumento Alarmante de Agressões e Ameaças em Dias de Jogos no Brasil

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Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública liga dias de jogos de futebol a alta em violência contra a mulher em cinco capitais brasileiras.

Dias de partidas de futebol profissional no Brasil estão associados a um aumento preocupante na violência contra a mulher. Uma nova pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela um crescimento significativo nos registros de agressões e ameaças contra o público feminino, com um impacto ainda mais acentuado em jovens de 15 a 29 anos.

A análise, que abrangeu um período de 2023 a 2025 em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre, investigou 308.315 registros de violência. Os dados indicam uma forte correlação entre os dias de jogos do Campeonato Brasileiro da Série A, Libertadores e Sul-Americana, e o registro desses crimes.

Os pesquisadores ressaltam que, embora não se possa afirmar uma relação causal direta, os dados demonstram uma associação robusta. A violência tende a se intensificar em momentos específicos, muitas vezes após o término das partidas, e se manifesta principalmente por meio de ameaças e agressões físicas. Conforme informações divulgadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Aumento de 27,4% nas ameaças e 28,8% nas lesões em dias de jogos

Nos dias em que ocorrem partidas de futebol de relevância nacional e internacional, o modelo estatístico utilizado na pesquisa estimou um **aumento de 27,4% nos casos de ameaças contra mulheres**. Essa análise foi baseada em uma amostra de 219.595 registros.

Paralelamente, os registros de **lesões corporais contra mulheres apresentaram um salto de 28,8%**, considerando um universo de 88.720 casos. Esses números representam um agravamento em relação à edição anterior do estudo, que analisou dados de 2015 a 2018.

Na primeira edição da pesquisa, as altas registradas foram de 23,7% para ameaças e 20,8% para lesões. A nova análise demonstra uma intensificação do problema, com a agressão física se tornando a variação com os maiores registros.

Jovens mulheres são as mais afetadas pela violência em dias de jogos

A pesquisa destaca que as **mulheres jovens, com idades entre 15 e 29 anos, estão entre as mais vulneráveis** a essa escalada de violência. Nos dias de jogos, o modelo estima um **aumento de 44,4% nas ameaças** direcionadas a essa faixa etária.

No que diz respeito às lesões corporais, o aumento estimado para as jovens também é alarmante, chegando a **44%**. Essa concentração da violência em mulheres mais jovens é um ponto de atenção crucial para as autoridades e para a sociedade.

A violência dentro de casa também se agrava nesses períodos. O modelo estima altas de 35,1% nas lesões e 26,8% nas ameaças no ambiente doméstico em dias de futebol. Entre as jovens, as ameaças dentro de casa chegam a aumentar em 47,3%.

Futebol como catalisador, não causa da violência

Juliana Brandão, pesquisadora do Fórum, enfatiza que o futebol não é a origem da violência contra a mulher, mas sim um **catalisador que intensifica comportamentos já existentes**. “O futebol não gera violência, mas catalisa essa violência”, afirma.

Ela explica que os resultados mostram claramente quando, como e onde a violência se intensifica, ocorrendo predominantemente após os jogos e se manifestando por meio de ameaças e agressões. A pesquisadora vê um tempo de ação, pois a violência acontece depois do jogo.

Os dados também revelam que as diferenças entre dias com e sem jogos variam ao longo da semana, com um salto notável nas ameaças às quintas-feiras. O estudo utilizou modelos econométricos avançados, controlando diversas variáveis como dia da semana, mês, ano, cidade, feriados, temperatura e chuva, para garantir a robustez da análise.

Aumento proporcional maior entre mulheres brancas, mas negras são maioria na base

No recorte racial, a pesquisa aponta que, embora as **mulheres negras sejam maioria na base geral de vítimas** de ameaças e lesões, o **aumento proporcional estimado nos dias de jogo é maior entre mulheres brancas**.

Nas ameaças, o aumento é de 14,6% entre negras e 30,9% entre brancas. Nas lesões, os índices são de 23,2% para negras e 36,2% para brancas. Uma hipótese para essa diferença é a maior inserção de mulheres brancas em atividades de lazer relacionadas ao futebol, enquanto mulheres negras podem ter menor contato com esse tipo de lazer.

O estudo também sugere que a maior recorrência prévia da violência na vida de mulheres negras e possíveis diferenças nos processos de denúncia podem influenciar a menor formalização de queixas. No entanto, o crescimento geral das notificações é visto como um sinal positivo de que mais mulheres estão buscando ajuda e denunciando, o que pode ser uma janela de oportunidade para a prevenção do feminicídio.

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