Golpe bilionário na Unip: Tentativa de fraude, traições e teste de DNA negativo abalam herança de R$ 16 bi

BRASIL

Guerra bilionária pela herança da Unip: golpe, traições e DNA negativo marcam disputa por R$ 16 bilhões

A morte do bilionário João Carlos Di Genio, fundador da Unip, em 2022, desencadeou uma complexa batalha pela sua herança de pelo menos R$ 16 bilhões. O caso, que tramita sem testamento, revela um cenário de supostas fraudes, acusações de golpe, disputas familiares e a reivindicação de um filho afetivo cujo exame de DNA deu negativo.

Representantes da Colonizadora Planalto Paulista alegam que Di Genio comprou mais de 400 lotes em Piraju (SP) por R$ 1 bilhão, valor atualizado. No entanto, a família do empresário e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) consideram a negociação uma farsa. A Justiça chegou a decretar a prisão preventiva de seis investigados no caso.

As investigações apontam para uma intrincada rede de envolvidos, incluindo advogados com ligações a Bruno Pará, que se diz filho afetivo de Di Genio e reivindica parte da fortuna. A descoberta desses elos é o mais recente capítulo de uma disputa que envolve, além de brigas familiares, um médico influencer, documentos falsificados e uma viúva que nunca foi formalmente casada. Conforme apurado pelo UOL, a briga pela herança da Unip se intensifica a cada dia.

A Farsa dos Terrenos de Piraju: Superfaturamento e Assinaturas Falsas

Sandra Miessa, viúva de Di Genio e reitora da Unip, contesta veementemente a compra dos terrenos em Piraju. Ela afirma que o marido jamais assinou os documentos e considera “absurdo” o investimento em uma área onde não seria possível, por exemplo, instalar um campus da universidade. Um estudo imobiliário contratado pela família Di Genio aponta que alguns terrenos possuem valor irrisório, e outros, no máximo, R$ 16 milhões, distantes do valor cobrado.

A Colonizadora Planalto Paulista alega que a negociação ocorreu por intermédio de Luiz Teixeira, médico influencer, que teria apresentado Jorge Brihy, diretor do Grupo Unip-Objetivo, ao dono da colonizadora. Segundo a versão de Teixeira, Brihy teria conduzido as tratativas. No entanto, documentos apresentados pela Colonizadora indicam que as negociações teriam começado em 2017, e não em 2021, como sustenta Teixeira.

Uma análise do Instituto de Criminalística, obtida pelo UOL, revelou o uso de **assinaturas falsas** no processo de arbitragem referente aos terrenos. As rubricas de Di Genio, seu cunhado e Jorge Brihy teriam sido forjadas, reproduzindo assinaturas encontradas em documentos públicos. A única assinatura não contestada foi a de Rubens Bolorino, ex-policial e amigo de Teixeira.

Bruno Pará: Filho Afetivo com DNA Negativo e Advogados Estratégicos

Bruno Pará, que se apresenta como filho afetivo de João Carlos Di Genio, busca garantir uma fatia da herança de pelo menos R$ 16 bilhões. Apesar de um exame de DNA realizado em 2025, após a exumação do corpo de Di Genio, ter dado **negativo**, Pará insiste no reconhecimento como filho afetivo, argumentando que o empresário custeava seus estudos e depositava cerca de R$ 23 mil mensais. A viúva, Sandra Miessa, contesta essa versão, afirmando que Di Genio ajudava financeiramente muitas pessoas.

Documentos de cartório revelam **elos entre Bruno Pará e o negócio dos terrenos de Piraju**. Dois advogados ligados ao caso constam como beneficiários de Pará caso ele seja incluído na herança. Marcelo Barone, advogado de Di Genio, teria emitido um parecer que justificou a entrada de Teixeira na Colonizadora. Ivan Sartori, ex-desembargador que atuou como advogado da Colonizadora contra Di Genio, foi incluído como beneficiário de Pará no mês seguinte.

Sartori afirma ter atuado contra Di Genio para honrar compromissos profissionais de seu filho falecido. Ele declarou que sempre esteve do lado oposto aos interesses de Di Genio e seus herdeiros, e que também foi advogado de Bruno Pará. Sartori chegou ao caso de Pará por intermédio de Marcelo Barone e do empresário Fernando Fantauzzi, outro possível beneficiário da herança.

A Viúva, o Sobrinho e o Cunhado: Um Jogo de Acusações

João Carlos Di Genio e Sandra Miessa nunca foram casados formalmente. A reitora da Unip relatou que optou por não casar para demonstrar que seu relacionamento era por amor e não por interesse. O casal teve três filhos: gêmeos em 2005 e o caçula em 2007.

Na disputa pelo inventário, surgiu também o sobrinho Fernando Di Genio, que foi afastado da administração do Grupo Mix por Miessa. Oswaldo Barbosa, cunhado de Di Genio e ex-braço direito do bilionário, fez uma denúncia ao MP alegando que Miessa maltratava o marido e o isolava. A família de Miessa o considera um **traidor**, um “inimigo capital” do inventário.

Barbosa, por sua vez, defendeu Bruno Pará no processo, afirmando conhecê-lo desde o nascimento e sempre o ter visto como filho de Di Genio. A complexa teia de relações e acusações sugere que a disputa pela herança da Unip está longe de um desfecho pacífico, com alegações de golpe, falsidade documental e brigas familiares intrincadas.

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