Irã em Alerta: Sanções dos EUA Provocam Corrida por Combustível e Temor de Inflação
O anúncio de uma nova ofensiva econômica por parte dos Estados Unidos causou forte apreensão entre os iranianos nesta terça-feira (25). Diante do temor de uma nova escalada inflacionária e do impacto das sanções prometidas para “asfixiar” o país, longas filas se formaram em postos de gasolina na capital, Teerã.
Imagens divulgadas pela agência AFP mostram o cenário de preocupação, com motoristas formando longas colunas de veículos em busca de abastecimento. O governo iraniano busca minimizar os efeitos, mas o clima nas ruas é de incerteza sobre o futuro econômico do país.
As novas medidas impostas pelo governo Trump são mais um capítulo na intensa pressão dos EUA sobre o Irã. Conforme informações divulgadas, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, apresentou um plano para intensificar as sanções, mirando setores considerados críticos como ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. A China, principal compradora de petróleo iraniano, já manifestou oposição e ameaçou adotar medidas para proteger seus interesses. A resposta de Teerã foi de desafio, com o ministro da Economia afirmando que o país estava preparado para novas sanções e que os EUA já fracassaram em tentativas anteriores. As informações são baseadas em conteúdo divulgado por agências internacionais e veículos de imprensa.
Governo Iraniano Tenta Controlar Danos e Revisar Cotas de Combustível
Em resposta à corrida por combustíveis, o chefe de gabinete do presidente iraniano, Mohsen Haji-Mirzaei, anunciou que o governo irá rever as cotas de abastecimento. Ele explicou que as cotas básicas serão reduzidas sem alteração de preço, mas quem desejar comprar mais combustível do que a cota estabelecida enfrentará um preço mais elevado.
Apesar da tentativa do governo de tranquilizar a população, argumentando que o Irã já convive com restrições econômicas há décadas, o sentimento geral é de preocupação. O corretor de imóveis Mehdi Yazdian, de 55 anos, expressou a angústia: “É lógico que as sanções afetem a vida das pessoas. Há pessoas sofrendo, tanto as que têm uma boa situação econômica quanto as que têm menos recursos”.
Jovens e Famílias Preocupados com o Aumento dos Preços
A estudante de arquitetura Taneen, de 23 anos, relatou que seu pai pediu para que a família fizesse compras de alimentos imediatamente, temendo um aumento abrupto nos preços. Ela viveu toda a sua vida sob o regime de sanções, mas a atual situação gera uma apreensão particular.
O Irã já enfrentava uma inflação elevada e uma crise econômica que resultou em ondas de protestos em janeiro. Organizações de direitos humanos reportaram milhares de mortos na repressão a essas manifestações, enquanto o governo iraniano atribui a violência a “atos terroristas” instigados pelos EUA e Israel. O presidente Donald Trump, por sua vez, criticou as execuções de pessoas processadas por envolvimento nos protestos, classificando a situação como uma “crise humanitária de proporções épicas”.
Pressão Máxima e Mecanismos de Resistência Iraniana
As novas sanções fazem parte da estratégia de “pressão máxima” defendida pelos Estados Unidos. Especialistas como o economista iraniano Saeed Laylaz apontam que, após décadas sob sanções, o Irã desenvolveu mecanismos para contornar as restrições, tornando a economia amplamente autossuficiente. No entanto, desafios internos como corrupção, instabilidade bancária e inflação podem agravar a situação.
Apesar da resiliência demonstrada pelo povo iraniano, a “guerra econômica” travada entre EUA e Irã continua a gerar incertezas e impactos diretos na vida cotidiana da população, com o fantasma da inflação pairando sobre o futuro próximo.
