A guerra entre Estados Unidos e Irã se intensifica, com novos ataques no Golfo Pérsico e um aumento significativo no preço do petróleo, que atingiu o maior nível em mais de um mês. A escalada das tensões eleva os receios de um conflito em larga escala.
O Irã declarou ter realizado novos ataques contra aliados de Washington no Golfo neste sábado, intensificando os confrontos após uma semana de ofensivas americanas contra alvos iranianos. A situação se agrava após o rompimento do cessar-fogo, elevando o risco de uma escalada ainda maior.
Os confrontos, que já duram sete noites consecutivas, agora avançam sobre infraestrutura civil, gerando preocupações sobre crimes de guerra. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado bases militares americanas e instalações estratégicas em países aliados dos EUA, como o Kuwait, Bahrein e Jordânia.
Conforme divulgado pela mídia estatal iraniana, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) reivindicou ataques a um centro de apoio militar dos EUA no Campo Arifjan e a uma instalação de radar na Base Aérea de Ali Al Salem, ambas no Kuwait. A IRGC também teria atacado a Base Aérea de Sheikh Isa, no Bahrein, e a base americana de Al Azraq, na Jordânia, onde alegou ter destruído caças e outras aeronaves americanas.
Impacto no Petróleo e Alerta Global
A escalada da guerra entre EUA e Irã já reflete nos mercados globais. Os preços do petróleo subiram mais de 4% na sexta-feira, atingindo o maior patamar em mais de um mês. Essa alta pressiona a economia mundial e adiciona uma camada de complexidade ao cenário político internacional, especialmente com eleições legislativas se aproximando nos EUA.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação com a escalada do conflito, especialmente com os ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região. A situação é delicada, pois o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo, é uma rota estratégica e vulnerável.
Ataques à Infraestrutura Civil e Ameaças de Retaliação
O conflito tem visto um aumento nos ataques à infraestrutura civil. No Kuwait, uma usina de dessalinização foi atingida, e as operações no aeroporto foram suspensas devido a ameaças de mísseis e drones. A imprensa iraniana também relatou ataques a instalações de energia e unidades de dessalinização na cidade de Jask, no sul do país, deixando milhares de pessoas sem abastecimento de água.
A Guarda Revolucionária Islâmica declarou que, diante da ausência de instituições internacionais para impedir as ações americanas, o Irã responderá de acordo com o mandamento do Alcorão: “Quem vos atacar, atacai-o da mesma maneira”. Essa declaração aumenta a apreensão sobre futuras retaliações e a possibilidade de o conflito se expandir para outras regiões.
EUA Intensificam Ataques e Ampliam Opções Militares
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou ter concluído o sétimo dia consecutivo de ataques contra sistemas de vigilância, infraestrutura logística militar e depósitos de armas do Irã. Autoridades americanas indicaram que os ataques ao sul do Irã visam ampliar as opções militares disponíveis para o presidente, intensificando a pressão sobre Teerã.
A escalada das ações militares de ambos os lados aumenta o risco de retaliação iraniana contra infraestruturas estratégicas de países do Golfo, ou de ataques ampliados a embarcações no Mar Vermelho por aliados iranianos no Iêmen. Tais ações poderiam provocar novas interrupções no fornecimento global de energia, impactando ainda mais a economia mundial e a segurança energética global.
