Haddad aponta Bolsonaro e Tarcísio como responsáveis por fuga de empresas para o Paraguai, mas números divergem
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recentemente atribuiu a responsabilidade pela migração de empresas brasileiras para o Paraguai aos governos de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Segundo Haddad, o fluxo de empresas para o país vizinho teria se intensificado durante esses períodos, como resultado de um processo iniciado naquelas gestões.
No entanto, a narrativa apresentada pelo Ministro da Fazenda diverge significativamente de dados oficiais e de informações divulgadas pela Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai. Essas fontes indicam que o período de maior êxodo de empresas brasileiras para o Paraguai ocorreu em governos anteriores, desmentindo a tese de Haddad.
Os números oficiais revelam que o pico de empresas brasileiras se instalando no Paraguai, especialmente sob o regime da Lei de Maquila, ocorreu durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (Lula 2) e Dilma Rousseff. Naquela época, 74 companhias buscaram os incentivos tributários paraguaios, o que contradiz a afirmação de Haddad.
Contradição nos dados: O que as estatísticas revelam sobre a migração empresarial
Dados compilados pela Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai e por órgãos governamentais paraguaios pintam um quadro distinto do que foi apresentado pelo Ministro Haddad. As informações apontam que o **maior volume de empresas brasileiras que migraram para o Paraguai ocorreu durante as gestões de Lula 2 e Dilma Rousseff**. Naquele período, um total de 74 empresas aderiram ao regime da Lei de Maquila, atraídas principalmente pelos atrativos fiscais oferecidos pelo país vizinho.
O fluxo de empresas: Uma análise temporal desmente a versão de Haddad
As estatísticas também demonstram uma **redução no ritmo de migração empresarial durante os últimos anos da administração Bolsonaro**. Esse cenário se contrapõe diretamente à afirmação de que o período de Bolsonaro e Tarcísio teria sido o de maior êxodo. A análise dos dados sugere que a tese sustentada por Haddad não encontra respaldo nas evidências históricas recentes.
Crescimento recente da migração sob a gestão de Haddad
De forma surpreendente, os números indicam que, após um período de desaceleração, o fluxo de empresas brasileiras para o Paraguai **voltou a crescer de forma significativa nos anos de 2023 e 2024**. Este período coincide com a atual gestão de Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda, o que levanta questionamentos sobre a origem do problema que ele atribui a governos anteriores.
Incentivos fiscais e a atratividade do Paraguai para empresas brasileiras
A migração de empresas brasileiras para o Paraguai é um fenômeno impulsionado, em grande parte, pelos **incentivos tributários oferecidos pelo país vizinho**. A Lei de Maquila, em particular, permite que empresas estrangeiras produzam no Paraguai com alíquotas de impostos reduzidas, o que se torna um diferencial competitivo importante. Essa busca por melhores condições fiscais tem sido um fator constante na decisão de muitas empresas em transferir suas operações.
