Hepatite B em Rondônia: Estado Lidera Taxa Nacional e Porto Velho é o Epicentro da Crise de Saúde Pública

RONDONIA

Rondônia enfrenta alta taxa de Hepatite B, superando média nacional e liderando entre capitais com Porto Velho.

Dados recentes do Ministério da Saúde apontam um panorama preocupante em Rondônia no que diz respeito à hepatite B. O estado figura na segunda posição nacional em taxa de detecção da doença, com a capital, Porto Velho, apresentando os índices mais elevados entre todas as capitais brasileiras. Este cenário contrasta com uma evolução positiva no combate à hepatite A, onde Rondônia se destaca com uma das menores incidências do país.

O Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026, que compila informações entre os anos de 2000 e 2025, revela que Rondônia registrou um total de 16.086 casos de hepatites virais. Deste montante, 11.367 são de hepatite B, 2.515 de hepatite C, 1.830 de hepatite A, 341 de hepatite D e 33 de hepatite E. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde.

A pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Rondônia, Deusilene Vieira, ressalta que os números elevados da hepatite B podem não indicar apenas um aumento de novas infecções, mas também a **melhora na capacidade de diagnóstico e notificação** da rede de saúde, identificando casos que poderiam permanecer assintomáticos por anos. Essa observação é crucial para a compreensão completa da epidemiologia da doença no estado.

Hepatite B: Um Desafio Persistente para Rondônia e Porto Velho

No último ano analisado pelo boletim, Rondônia registrou 406 notificações de hepatite B, o que corresponde a uma taxa de 23,2 casos por 100 mil habitantes. Este índice é **mais de quatro vezes superior à média nacional**, que se situa em 5,2 casos por 100 mil habitantes. A capital, Porto Velho, agrava este quadro, com 199 casos em 2025 e uma taxa de 38,4 ocorrências por 100 mil habitantes, a **maior entre as capitais brasileiras**. Desde o início da série histórica, Porto Velho acumula 3.253 registros da doença.

A situação é igualmente alarmante em relação à hepatite B em gestantes. Rondônia, com 16 notificações em 2025, apresenta uma taxa de 0,7 caso por mil nascidos vivos, empatando com Mato Grosso na segunda posição nacional, atrás apenas do Acre. Ao longo do período estudado, o estado acumulou 1.470 casos entre gestantes.

Hepatite C e D: Indicadores Acima da Média Nacional

A hepatite C também demonstra uma incidência elevada em Rondônia. Em 2025, foram contabilizados 201 casos, resultando em uma taxa de 11,5 ocorrências por 100 mil habitantes, **superior à média nacional de 8 casos por 100 mil habitantes**. Em Porto Velho, a taxa atingiu 23,8 por 100 mil habitantes, com 123 casos confirmados no mesmo ano, posicionando a capital entre as que mais registram a doença.

Quanto à hepatite D, conhecida como Delta e associada ao vírus da hepatite B, Rondônia figura na terceira posição nacional em registros históricos, com 341 casos entre 2000 e 2025. Contudo, os dados mais recentes indicam uma **redução drástica na circulação do vírus**, caindo de 56 notificações em 2024 para apenas uma em 2025, uma queda de 98%. A pesquisadora Deusilene Vieira atribui essa melhora às ações de prevenção, vigilância e à vacinação contra a hepatite B, que também protege contra a hepatite D, além da oferta de testes moleculares pelo SUS.

Hepatite A: Um Raio de Esperança em Rondônia

Em contrapartida aos desafios apresentados pela hepatite B e C, Rondônia exibe um cenário de sucesso no combate à hepatite A. O estado está entre as unidades federativas com as **menores taxas da doença no país**, com uma notável tendência de queda. Em 2014, foram registrados 124 casos, número que despencou para apenas nove em 2025, uma **redução de 92% em 11 anos**. Em Porto Velho, a diminuição foi ainda mais expressiva, passando de 111 ocorrências em 2014 para apenas uma em 2025, um recuo de 99%.

Segundo a pesquisadora Deusilene Vieira, esses resultados positivos na hepatite A são atribuídos aos efeitos acumulados das **estratégias de imunização e prevenção** implementadas ao longo da última década, demonstrando a eficácia de políticas públicas de saúde quando bem executadas.

Hepatite E: A Menos Frequente no Estado

A hepatite E é a variante menos frequente entre as hepatites virais monitoradas em Rondônia. Entre 2000 e 2025, foram registrados apenas 33 casos, consolidando-a como a hepatite de menor incidência na rotina de vigilância epidemiológica do estado.

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