A Samsung, Imposto Bilionário e os Dramas Familiares por Trás da Sucessão
A família Lee, que comanda o império Samsung, concluiu o pagamento de um imposto sobre herança que totaliza 12 trilhões de wons, o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões. Este montante representa o maior pagamento do tipo na história da Coreia do Sul e encerra um ciclo de cinco anos de desembolsos em seis parcelas.
O valor está diretamente ligado ao espólio deixado pelo falecido presidente Lee Kun-hee, que faleceu em outubro de 2020. A Samsung, um dos maiores conglomerados familiares (chaebols) do mundo, abrange desde eletrônicos e construção até serviços financeiros, tornando a sucessão um tema de crucial importância econômica e política.
A saga da sucessão na Samsung é marcada por escândalos, disputas judiciais e até mesmo prisões, evidenciando a complexidade e os desafios de manter o controle de um império tão vasto e influente. Conforme divulgado pela Samsung, o pagamento do imposto, que possui uma das alíquotas mais altas do mundo (50%), foi concluído neste domingo, com a última parcela sendo efetuada.
O Peso do Imposto e a Luta pelo Controle
O pagamento desse imposto bilionário foi acompanhado de perto por investidores, pois poderia comprometer a capacidade da família Lee de manter sua posição de controle na Samsung. O espólio de Lee Kun-hee, avaliado em 26 trilhões de wons, incluía um vasto patrimônio em ações, imóveis e coleções de arte, parte das quais foi doada a instituições culturais.
O patrimônio líquido combinado da família Lee ultrapassa os US$ 45 bilhões, tendo mais que dobrado no último ano, impulsionado pela alta demanda global por chips de computador para a indústria de inteligência artificial. A Samsung, além de ser uma gigante em semicondutores, é também uma das maiores produtoras de smartphones e televisores do mundo.
Prisão e Escândalo de Corrupção que Abalaram a Gigante
A história recente da Samsung é intrinsecamente ligada a escândalos políticos e disputas familiares. Em 2017, Lee Jae-yong, o herdeiro do conglomerado e neto do fundador, foi preso em conexão com um escândalo de corrupção que também levou ao impeachment da então presidente do país, Park Geun-hye.
Lee Jae-yong foi acusado de suborno, relacionado a doações para fundações administradas por Choi Soon-sil, amiga íntima da ex-presidente, em troca de apoio político para uma fusão que fortaleceria seu controle sobre o grupo. Ele também enfrentou acusações de fraude contábil e de ações nessa fusão entre a Samsung C&T e a Cheil Industries, visando consolidar seu poder.
Disputas Familiares e a Busca por Legitimidade
A dinastia Lee, que comanda a Samsung desde sua fundação como uma mercearia no final da década de 1930, é comparada à realeza na Coreia do Sul. No entanto, a manutenção desse poder envolveu complexas manobras financeiras e sucessórias ao longo das décadas.
A sucessão na geração anterior também foi marcada por controvérsias. Lee Kun-hee, o filho mais novo, foi escolhido para liderar a empresa em detrimento de seus irmãos mais velhos, uma decisão que gerou ressentimentos e disputas. Em 2012, um dos tios de Lee Jae-yong tentou reaver o que considerava sua herança legítima, em um processo que poderia ter desmantelado o império.
Um Novo Caminho para a Samsung?
Após anos de batalhas judiciais, Lee Jae-yong foi finalmente absolvido em julho de 2025 de acusações de fraude relacionadas à fusão que garantiu sua sucessão. Este desfecho encerra uma década de processos e penas de prisão para o líder da Samsung.
Em um movimento que sinaliza uma mudança nas tradições dos chaebols, Lee Jae-yong declarou que não haverá mais controvérsias de sucessão e que não passará os direitos gerenciais para seus filhos. Essa promessa abre um novo capítulo, levantando a questão de quem herdará as chaves do vasto império Samsung no futuro.
