Inflação nos EUA: Americanos relatam ‘coisas insanas’ para sobreviver, com carne moída custando mais de R$ 80 por kg

BRASIL

Inflação nos EUA dispara e força americanos a medidas extremas: de múltiplos empregos a escolhas alimentares drásticas

A inflação nos Estados Unidos continua a corroer o poder de compra dos cidadãos, com o salto de outubro superando as expectativas e atingindo 3,7% em setembro. O aumento expressivo nos custos de energia e combustíveis, em particular, tem elevado o custo de vida de forma alarmante.

Diante deste cenário desafiador, muitos americanos estão se vendo obrigados a adotar estratégias de sobrevivência incomuns e, por vezes, desgastantes. As histórias revelam um retrato preocupante da realidade econômica do país, onde o aperto financeiro se tornou rotina.

Essas medidas drásticas, que vão desde a busca por múltiplos empregos até a reavaliação completa dos hábitos alimentares, refletem a gravidade da situação. Conforme informações divulgadas, a inflação em setembro superou as previsões, impactando diretamente o bolso do cidadão comum.

Professora acumula 3 empregos e faz “coisas insanas” para sustentar a família

No Tennessee, a professora Kathryn Vaughn, de 46 anos, é um exemplo da luta diária contra a alta da inflação. Ela acumula três empregos, incluindo o de professora de artes em uma escola primária, para sustentar sua família de quatro pessoas. Vaughn relata que já realizou “coisas incrivelmente insanas para sobreviver”, demonstrando o desespero gerado pela situação.

Após o expediente escolar, Vaughn atua como facilitadora em um programa para jovens em risco, onde seu filho de cinco anos pode acompanhá-la, reduzindo custos com creche. Ela também busca renda extra como modelo de mãos, vendendo itens usados em plataformas online e escrevendo obituários, mas ainda assim, o dinheiro é escasso.

Sonho da casa própria adiado e gasolina a quase R$ 30 o litro na Califórnia

Na Califórnia, Punal Bhavsar, de 39 anos, precisou adiar o sonho de comprar uma casa, previsto para 2026. Ele esperava que as taxas de juros caíssem, mas o aumento dos custos gerais, especialmente da gasolina premium, que chega a quase US$ 6 o galão (aproximadamente R$ 30 o litro), tornou a economia inviável.

Bhavsar descreve o panorama econômico como sombrio. O Índice Gallup de Confiança na Economia atingiu -40 em setembro, e uma pesquisa do The Guardian revelou que 95% dos entrevistados acreditam que os EUA enfrentam uma crise de custo de vida.

Carne moída de R$ 22 para R$ 88: americanos buscam alternativas alimentares

Em Utah, Caitlin Green relata uma escalada impressionante nos preços dos alimentos. O quilo da carne moída, que antes custava US$ 4,40 (cerca de R$ 22), agora chega a US$ 17,60 (aproximadamente R$ 88). Esse aumento transformou um alimento básico em um item de luxo.

Green e seu marido, para contornar a situação, passaram a optar por alternativas como frango ou peru moído. O orçamento mensal para supermercado da família dobrou, passando de US$ 200 para US$ 400 (de cerca de R$ 1.000 para R$ 2.000), evidenciando a drástica mudança nos hábitos de consumo.

Viagens canceladas e almoços escolares: cortes necessários para o orçamento

As decisões difíceis se estendem a outros aspectos da vida. Kathryn Vaughn precisou cancelar uma viagem familiar para a Flórida devido ao alto custo da gasolina. Além disso, para economizar, seu filho de cinco anos passou a almoçar na escola diariamente, uma opção que se mostrou mais barata do que levar comida de casa.

“O custo de tudo está absurdo. Gasolina para ir trabalhar, meu seguro aumentou, alimentar dois filhos e um marido. É demais”, desabafa Vaughn, ecoando o sentimento de muitos americanos que lutam para manter suas famílias diante da inflação persistente.

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