Vice-ministro iraniano afirma que declarações de Donald Trump sobre ataques a usinas e pontes podem violar o direito internacional e se enquadrar como crimes de guerra.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou nesta segunda-feira (6) que as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar infraestruturas civis no país, como usinas de energia e pontes, podem constituir crimes de guerra. A afirmação surge em meio a um aumento da tensão envolvendo o Estreito de Ormuz.
As declarações de Gharibabadi vêm após Trump publicar em sua rede social Truth Social uma ameaça direta relacionada ao Estreito de Ormuz. O presidente americano exigiu a reabertura da passagem marítima, com um ultimato de 48 horas, caso contrário, haveria retaliações.
Em sua postagem, Trump escreveu: “Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a p*** do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar! Louvado seja Alá”. Essa fala, segundo o vice-ministro iraniano, configura uma ameaça pública de cometer crimes de guerra, citando o direito internacional.
Ameaças e o Estatuto de Roma
Kazem Gharibabadi enfatizou que a ameaça de atacar centrais elétricas e pontes, consideradas infraestrutura civil, é um crime de guerra de acordo com o artigo 8º, parágrafo 2º, alínea b), do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Ele reiterou que as declarações de Trump violam o direito internacional.
O vice-ministro também mencionou que as falas do presidente americano configurariam, em sua avaliação, violações do direito internacional, citando dispositivos previstos no Estatuto de Roma. Essa interpretação sugere uma forte resposta diplomática e jurídica por parte do Irã.
Negociações e Ultimatos
Paralelamente às ameaças, Trump também expressou em entrevista à Fox News a possibilidade de fechar um acordo com o Irã até segunda-feira, em meio a negociações por um cessar-fogo. Ele mencionou que as conversas estão em andamento e que negociadores iranianos receberam uma anistia limitada para participar das tratativas, com expectativa de um desfecho rápido para reduzir as tensões.
Contudo, Trump também reforçou suas ameaças diretas. Caso o Irã se recuse a firmar um entendimento, os Estados Unidos poderiam tomar o petróleo iraniano. Ele ainda revelou que o governo americano enviou armas a manifestantes iranianos no início do ano, por meio dos curdos, mas acredita que o armamento foi retido antes de chegar aos opositores do regime.
Rejeição de Proposta e Capacidade Militar
Na sexta-feira (3), o Irã havia rejeitado uma proposta de 48 horas de cessar-fogo feita pelos Estados Unidos, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Fars. Uma fonte anônima ouvida pela agência indicou que a proposta foi apresentada por um outro país e que Teerã acredita ter sido resultado da surpresa do governo Trump com a capacidade de resposta militar iraniana.
De acordo com essa fonte, as avaliações indicam que a proposta surgiu após a intensificação da crise na região e o aparecimento de sérios problemas para as forças militares americanas, decorrentes de uma estimativa equivocada sobre a capacidade militar da República Islâmica do Irã. A resposta do Irã a essa proposta, segundo o relato, não foi dada por escrito, mas sim no campo de batalha, com a continuidade dos ataques pesados.
