Irã exige indenização milionária dos EUA para reabrir Estreito de Ormuz e acusa de “danos de guerra”

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Tensão aumenta no Estreito de Ormuz: Irã impõe exigências financeiras e de segurança aos EUA para reabertura

A Guarda Revolucionária do Irã declarou neste domingo que a reabertura do Estreito de Ormuz, corredor essencial para o fluxo de energia mundial, depende do atendimento de exigências impostas por Teerã aos Estados Unidos. Entre as condições, destaca-se a **indenização financeira pelos danos de guerra**, um endurecimento significativo nas negociações.

O bloqueio do estreito, por onde transitava cerca de 20% do transporte global de energia antes do conflito, foi iniciado pelo Irã após ataques atribuídos aos Estados Unidos e Israel no final de fevereiro. A República Islâmica busca agora cobrar pedágios pela passagem de embarcações e tem atacado navios que, segundo alega, tentam burlar sua rota preferencial.

Os ataques contínuos na via marítima, que antes era de livre trânsito, culminaram no colapso do cessar-fogo estabelecido em abril. Mediadores têm pressionado ambos os lados a retornarem aos termos de um acordo anterior, assinado em junho, que previa um caminho para negociações de paz. Conforme informações divulgadas pela mídia estatal, o Irã afirma que não está em negociações diretas com os EUA, mas sim trocando mensagens por meio de intermediários.

Condições iranianas para a paz em Ormuz

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, indicou que as discussões com Omã sobre o trânsito e a gestão do estreito estão em fase final. No entanto, ele ressaltou que a reabertura de Ormuz está **sujeita a outras condições e à indenização pela violação** do acordo de junho. O Irã exige que os Estados Unidos cessem definitivamente a guerra e as agressões contra aliados iranianos em países como Líbano, Palestina, Iêmen e Iraque.

Um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, o principal órgão de tomada de decisões do país, detalha as exigências. Para a liberação do gargalo estratégico que liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, Teerã demanda que Washington suspenda o bloqueio naval aos portos iranianos, retire suas forças da região e ofereça **indenização integral pelos danos de guerra**. Além disso, pedem a suspensão das sanções e o desbloqueio de ativos iranianos congelados.

O Irã enfatiza que não recuará em suas exigências e espera uma **mudança genuína na conduta dos EUA**. Até o momento, não houve resposta direta imediata do governo americano às novas condições impostas.

Repercussão internacional e ataques em rotas alternativas

Em meio à escalada de tensões, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos condenou um ataque atribuído ao Irã contra um petroleiro da ADNOC no Estreito de Ormuz. Incidentes semelhantes foram reportados pela Unidade de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), que informou sobre um projétil atingindo um navio ao largo de Omã, causando um incêndio.

O Ministério das Relações Exteriores de Omã condenou os ataques repetidos contra embarcações no estreito, mas evitou citar diretamente o Irã. O país árabe também expressou otimismo quanto às negociações em andamento, pedindo que ações que possam comprometer o progresso das conversas sejam evitadas. O direito internacional, em geral, proíbe a cobrança de pedágios em vias navegáveis internacionais, como é o caso de Ormuz.

Enquanto isso, rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram um ataque a uma instalação petrolífera saudita no Mar Vermelho. O Mar Vermelho, que serve como rota alternativa para embarcações impedidas de passar por Ormuz, tem sofrido tentativas de bloqueio pelos houthis, adicionando mais um elemento de instabilidade à segurança energética global.

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