Irã desmente planos de negociação com os Estados Unidos e estabelece condições para paz
Em meio a tensões na região do Estreito de Ormuz, o Irã negou nesta segunda-feira (28) a existência de negociações em andamento ou previstas com os Estados Unidos. A declaração surge um dia após o presidente americano, Donald Trump, expressar otimismo sobre uma possível retomada das conversas entre os dois países.
A agência de notícias oficial iraniana, Irna, divulgou que não há planos para diálogos com Washington. A posição do regime iraniano foi comunicada formalmente a parte americana na terça-feira passada, através de um mediador do Catar. As informações foram confirmadas por uma fonte oficial citada pela agência.
A delegação iraniana que participa da Assembleia Geral da ONU em Nova York retornará ao país nesta terça-feira (29), sem intenção de realizar negociações com os Estados Unidos. As condições iranianas para o fim do conflito e para a reabertura do Estreito de Ormuz foram apresentadas de forma clara e explícita.
Proposta de paz iraniana e a rejeição de Trump
Uma proposta de paz, apresentada pelo Irã aos Estados Unidos em 19 de setembro por meio de mediadores do Catar, foi rejeitada por Donald Trump no último sábado (26). O presidente americano afirmou que a pressão militar estaria forçando os iranianos a buscar um acordo para a reabertura da importante rota marítima.
“Eles querem fechar um acordo para abrir o Estreito de Ormuz imediatamente porque estão perdendo feio”, declarou Trump a jornalistas na Casa Branca, sugerindo que o Irã estaria em desvantagem devido às sanções impostas pelos EUA.
Condições iranianas para a paz e a reabertura do Estreito de Ormuz
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, reiterou em uma rede social que o Irã ainda busca uma saída diplomática para o conflito com os Estados Unidos e Israel. Ele destacou que, apesar das declarações públicas de Trump, o país não recebeu uma resposta oficial dos EUA pelos canais diplomáticos.
“Nossas condições são claras, e qualquer medida para reabrir o Estreito de Ormuz depende do cumprimento dessas condições. Somente uma solução negociada pode tirar as partes desse impasse. Estamos aguardando que os mediadores nos transmitam as posições definitivas e tomaremos uma decisão com base nela”, escreveu Araqchi.
Pressão econômica e a ameaça iraniana
Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico contra o Irã, pressionando Teerã a cessar os ataques contra embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz. Esses confrontos têm impactado significativamente o tráfego marítimo na região, embora Trump insista que os EUA controlam a via navegável.
O comandante-chefe do Exército iraniano, Amir Hatam, descreveu a guerra como uma fase “crítica e decisiva”. Ele reafirmou que o Irã não aceitará ser impedido de comercializar seus produtos enquanto outras potências continuarem a utilizar as rotas estratégicas da região. “Se o Irã não puder comercializar, se o Irã não puder viver, ninguém poderá comercializar ou viver”, alertou Hatam, segundo a mídia estatal iraniana.
