Seleção do Irã denuncia dificuldades de viagem nos Estados Unidos e promete reclamação formal à Fifa.
A seleção iraniana de futebol manifestou insatisfação com as restrições de viagem impostas pelos organizadores da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos. Conforme comunicado pela federação do país, essas dificuldades impactaram diretamente a preparação da equipe para o segundo jogo do torneio, contra a Bélgica.
A federação alega que, apesar de ter enviado seu cronograma de preparação com antecedência, a equipe enfrentou impedimentos que comprometeram a execução dos planos táticos e logísticos. Um dos principais pontos de atrito envolve a obtenção de vistos para membros da comissão técnica.
Segundo a federação, parte da equipe técnica só conseguiu chegar a Los Angeles, cidade da partida contra a Bélgica, um dia antes do jogo, diferentemente de outras seleções que tiveram dois dias de antecedência. A situação gerou frustração e levou à promessa de uma reclamação formal à Fifa. Conforme informado pela federação iraniana na quinta-feira (18), a entidade buscará explicações e soluções para os entraves enfrentados.
Problemas com Vistos e Atrasos na Chegada
Um dos episódios relatados pela federação envolveu a retenção de passaportes e vistos de membros da delegação no aeroporto de Los Angeles. O centroavante Mehdi Taremi, estrela da equipe, e um auxiliar técnico teriam enfrentado um “atraso injustificado” nos procedimentos de imigração ao retornar de uma partida.
Além disso, o atacante Mehdi Torabi recebeu um visto com validade para uma única entrada nos Estados Unidos, contrastando com os demais membros da equipe que possuem vistos de múltiplas entradas. Para que ele possa participar de futuras partidas em solo americano, a federação já iniciou os trâmites para solicitar uma nova autorização.
Técnico do Irã Afirma Ser a Equipe “Mais Oprimida” da Copa
O técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, expressou publicamente seu descontentamento com a situação, chegando a afirmar que sua equipe é a “mais oprimida de toda a Copa do Mundo”. Ele relatou que, após a estreia, a equipe recebeu uma “ordem imediata” para deixar os Estados Unidos e retornar ao México, onde a base da delegação está localizada.
Ghalenoei lamentou a falta de tempo para recuperação e adaptação, mencionando que a equipe esperava permanecer em Los Angeles para se recuperar da partida de estreia, mas foi impedida de fazê-lo. “Para ser sincero, não faço ideia do porquê. Acho que talvez nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo”, declarou o treinador.
Contexto Geopolítico e Mudança de Base
A participação do Irã na Copa do Mundo já havia sido cercada de expectativas devido às tensões geopolíticas entre o país e os Estados Unidos. A federação iraniana teve sua cota de ingressos retirada pelos EUA dias antes do início do torneio, e a logística da equipe precisou ser alterada.
Inicialmente planejada para sediar a base da seleção iraniana nos Estados Unidos, a Fifa precisou intervir e transferiu a concentração da equipe para Tijuana, no México, para contornar a crise e garantir a participação do time. As próximas partidas do Irã na Copa ocorrerão em solo americano, contra Bélgica em Los Angeles e contra Egito em Seattle.
Reclamações sobre Logística e Citação do Técnico
A federação iraniana reiterou que as dificuldades logísticas, incluindo a demora na obtenção de vistos e as restrições de viagem, estão afetando o desempenho da equipe. O técnico Amir Ghalenoei já havia reclamado da logística de viajar logo após a partida de estreia.
“Devíamos ficar aqui esta noite para nos recuperarmos e voltar amanhã na hora do almoço, mas eles não nos permitiram. Acredito que nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo”, desabafou o comandante iraniano, que espera uma resolução da Fifa para os problemas enfrentados.
