Irã apresenta resposta aos EUA pedindo fim da guerra e garantias contra novos ataques, mas Trump a considera “totalmente inaceitável”.
O Irã entregou ao Paquistão, mediador das negociações, sua resposta oficial à proposta dos Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio. A resposta, segundo o jornal “Wall Street Journal”, rejeita o desmantelamento de suas instalações nucleares e propõe o envio de parte do urânio enriquecido para um terceiro país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu prontamente neste domingo (10), classificando os termos apresentados pelo Irã como “totalmente inaceitáveis”. A declaração foi feita em sua conta oficial nas redes sociais, intensificando a incerteza sobre o futuro das negociações e a estabilidade na região.
A agência semioficial iraniana Tasnim, citando uma fonte próxima ao assunto, informou que o documento entregue ao Paquistão enfatiza a necessidade de cessar a guerra em todas as frentes e exige garantias contra futuros ataques. A proposta também pede a suspensão das sanções americanas sobre a venda de petróleo iraniano e o fim do bloqueio naval.
Questões Nucleares e Sanções em Pauta
De acordo com o “The Wall Street Journal”, as questões relacionadas ao programa nuclear iraniano seriam discutidas ao longo dos próximos 30 dias. O Irã sugere diluir parte de seu urânio altamente enriquecido e transferir o restante para um país terceiro. Essa proposta inclui a exigência de devolução do material caso as negociações falhem ou os EUA abandonem o acordo posteriormente.
O Irã também se mostrou disposto a suspender o enriquecimento de urânio, mas por um período inferior aos 20 anos propostos pelos EUA. Ao mesmo tempo, o país rejeitou a exigência de desmantelar suas instalações nucleares, segundo apuração do jornal americano. A mídia estatal iraniana adicionou que o país solicitou compensações pelos danos causados pela guerra e reafirmou sua soberania sobre o Estreito de Ormuz.
Aumento da Tensão e Incidentes no Golfo
Apesar de um cessar-fogo vigente há um mês, a tensão na região do Golfo aumentou neste domingo (10) com a detecção de drones hostis sobre diferentes países. Esses incidentes ocorrem em um momento delicado, com a guerra no Oriente Médio tendo se iniciado em 28 de fevereiro após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Apesar das preocupações, o navio Al Kharaitiyat, da QatarEnergy, conseguiu atravessar o Estreito de Ormuz em segurança rumo ao Paquistão, sendo a primeira embarcação do Catar transportando gás natural liquefeito a cruzar a região desde o início do conflito. Um navio graneleiro com destino ao Brasil também atravessou o estreito utilizando uma rota indicada pelas Forças Armadas iranianas.
Garantindo a Liberdade de Navegação e o Apoio Internacional
A guerra já causou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e impactou a economia global com a alta nos preços da energia. Diante deste cenário, o presidente dos EUA, Donald Trump, enfrenta pressão para conter o conflito e mitigar a crise energética.
Os Emirados Árabes Unidos informaram ter interceptado dois drones vindos do Irã, enquanto o Catar condenou um ataque a um cargueiro em suas águas. O Kuwait relatou a interceptação de drones hostis em seu espaço aéreo. O primeiro-ministro do Catar conversou com o chanceler iraniano, alertando que o uso do Estreito de Ormuz como “ferramenta de pressão” pode agravar a crise e defenderam a preservação da liberdade de navegação.
Desafios para os EUA e Aliados
O Irã estuda um projeto de lei para formalizar o controle sobre o Estreito de Ormuz, incluindo restrições para embarcações de “Estados hostis”. Os Estados Unidos, por sua vez, enfrentam dificuldades em obter apoio internacional para a segurança marítima na região. Aliados da OTAN rejeitaram pedidos de Washington para enviar navios sem um acordo de paz completo.
A Grã-Bretanha anunciou o envio de um navio de guerra ao Oriente Médio, em preparação para uma possível missão multinacional de segurança marítima. A situação continua complexa, com o futuro das negociações e a estabilidade regional em jogo, especialmente em torno do estratégico Estreito de Ormuz.
