Jorginho Mello (PL) Reeleito Governador de SC: A Terceira Vitória Bolsonarista Consecutiva em Santa Catarina

BRASIL

Jorginho Mello é reeleito governador de Santa Catarina com expressiva votação.

O atual governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), foi reeleito neste domingo (4) para mais um mandato à frente do estado. Com mais de 80% das urnas apuradas, Mello obteve 68,3% dos votos válidos, confirmando sua liderança nas pesquisas e a preferência do eleitorado catarinense. A vitória representa a terceira eleição consecutiva em que um candidato alinhado ao bolsonarismo é eleito governador em Santa Catarina, reforçando a força política desse espectro ideológico no estado.

Jorginho Mello, que tem 70 anos, terá como vice-governador o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo). A chapa deste ano se diferencia da de 2022, quando Marilisa Boehm (PL) o acompanhava.

A trajetória política de Jorginho Mello é marcada por uma ascensão constante. Ele iniciou sua carreira como vereador em Herval d’Oeste no final dos anos 1970. Posteriormente, foi eleito deputado estadual, permanecendo na Assembleia Legislativa de Santa Catarina até 2011. Na sequência, foi eleito deputado federal por dois mandatos (2010 e 2014) e, em 2018, conquistou uma vaga no Senado Federal. Essa trajetória, conforme apurado pela reportagem da Folhapress, demonstra sua longa experiência no cenário político catarinense e nacional.

A força do bolsonarismo em Santa Catarina

A reeleição de Jorginho Mello consolida o que muitos chamam de um “reduto” do bolsonarismo no Brasil. Desde 2018, o estado tem eleito governadores que carregam o mesmo alinhamento político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Naquele ano, Carlos Moisés (então no PSL, partido de Bolsonaro) venceu Gelson Merísio (PSD), que representava a centro-direita tradicional.

Posteriormente, Moisés rompeu com o bolsonarismo e não conseguiu se reeleger em 2022, ficando em terceiro lugar. O vitorioso daquele pleito foi o próprio Jorginho Mello, que venceu Décio Lima (PT) em segundo turno. Durante seu primeiro mandato, Mello manteve uma postura de fidelidade a Bolsonaro, defendendo o ex-mandatário em diversas ocasiões. Ações como a tentativa de acabar com cotas raciais em universidades e a sanção de lei para anistiar professores não vacinados durante a pandemia de Covid-19 foram marcadas por essa linha política.

Trajetórias políticas e alinhamentos em constante mudança

A política catarinense também é marcada por mudanças de alinhamento. Gelson Merísio, candidato ao governo neste ano com apoio do PT, teve uma trajetória sinuosa. Em 2018, ele disputou com Carlos Moisés, ambos buscando se apresentar como os mais bolsonaristas. Merísio, hoje socialista, chegou a declarar que mudou de lado “com muito prazer” e foi comparado por Lula a Friedrich Engels, o companheiro de Karl Marx.

Merísio iniciou sua carreira política como vereador em Xanxerê e foi deputado estadual por diversos anos, chegando a presidir o parlamento catarinense. Ele também teve ligação com o setor empresarial, integrando o conselho de administração da JBS.

Outros candidatos e o cenário eleitoral

Além de Jorginho Mello, Gelson Merísio e João Rodrigues, outros cinco candidatos disputaram o governo de Santa Catarina: Marcus Sodré (PSTU), Laís Chaud (UP), Marcelo Brigadeiro (Missão), Ralf Zimmer (PRD) e Bruno Pedreiro (PCO). João Rodrigues, ex-prefeito de Chapecó, também se posicionou no campo da direita radical, mas enfrentou questionamentos sobre um episódio de prisão em 2018, do qual foi inocentado pelo STJ em 2020.

A campanha de Merísio tentou capitalizar o apoio do lulismo com o mote “seremos resistência”, buscando replicar o sucesso de 2022, quando Décio Lima (PT) chegou ao segundo turno. No entanto, a força do bolsonarismo, representada por Jorginho Mello, demonstrou ser o fator decisivo na eleição para governador de Santa Catarina.

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