Meliponicultura em Porto Velho: O Doce Valor da Preservação Amazônica
Em Porto Velho, o som das abelhas em quintais não se resume a um possível perigo, mas sim a uma promessa de preservação e um produto de alto valor. A criação de abelhas nativas sem ferrão, conhecida como meliponicultura, tem ganhado espaço na capital de Rondônia, com o mel dessas espécies alcançando preços impressionantes no mercado.
O que antes era apenas uma atividade de subsistência ou hobby, agora se consolida como uma iniciativa com potencial econômico significativo, atraindo olhares e investimentos. No entanto, por trás do valor elevado do mel, reside uma responsabilidade ambiental que especialistas e praticantes fazem questão de ressaltar.
A novidade regulamentada pela Lei Complementar nº 990/2024 em Porto Velho visa justamente equilibrar os benefícios ambientais, educacionais e econômicos da meliponicultura. Conforme apurado pelo g1, o foco principal da atividade deve permanecer na **polinização essencial para a floresta amazônica**.
O Tesouro Líquido das Abelhas Nativas
Moradores como Regina Ferreira Mariz, que há seis anos se dedica à meliponicultura em Porto Velho, demonstram o potencial dessa atividade. Em seu quintal, ela cultiva diversas espécies nativas, muitas delas resgatadas de áreas ameaçadas pelo desmatamento e queimadas. Entre as espécies estão a Jataí-amarela (Tetragonisca angustula), Mandaguari-preta (Scaptotrigona postica), Marmelada-amarela (Frieseomelitta varia), Boca-de-renda (Melipona seminigra) e Jataí-negra (Scaura latitarsis).
O resgate dessas colônias, muitas vezes em risco devido a ações humanas, é uma prática que segue as diretrizes legais. Regina explica que o resgate é fundamental quando as abelhas estão em áreas de derrubada ou em perigo iminente, garantindo a continuidade de sua existência e sua função ecológica vital.
Regulamentação e Valor de Mercado
A recente regulamentação da atividade em Porto Velho, através da Lei Complementar nº 990/2024, abriu novos caminhos para a meliponicultura, abrangendo fins educacionais, ambientais, científicos e econômicos. Essa norma busca dar segurança jurídica e incentivar a prática de forma consciente.
O resultado desse trabalho é um mel com características únicas e um valor comercial expressivo. Segundo Roseval Guzzo, gerente de Assistência Técnica da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), o litro desse mel amazônico pode variar entre **R$ 350 e R$ 400**. Essa valorização se deve à exclusividade do produto e à menor produção em comparação com o mel de abelhas europeias.
A Preservação Acima do Lucro
Apesar do alto potencial econômico, tanto Regina quanto Guzzo alertam para o risco de a mercantilização excessiva ofuscar o propósito principal da meliponicultura: a **preservação e a polinização**. Eles enfatizam que o interesse financeiro não pode se sobrepor à importância ecológica desses insetos.
“Não podemos permitir que essa atividade seja vista apenas como uma oportunidade de ganho material ou comercial”, ressalta Regina. Para ela, o retorno financeiro deve andar de mãos dadas com a **consciência ambiental**, o bem-estar das colônias e a responsabilidade com o futuro do planeta. A meliponicultura, em sua visão, é sinônimo de preservar, educar e respeitar a vida, deixando um legado ambiental positivo.
Guzzo reforça a ideia de que o papel das abelhas na polinização de florestas e alimentos é insubstituível. Manter essas espécies vivas e saudáveis é, portanto, uma necessidade para a manutenção dos ecossistemas e para a garantia da segurança alimentar, muito além do valor comercial do mel que produzem.
