O Estreito de Ormuz volta a ser palco de movimentação e discórdia após anúncio de paz entre EUA e Irã.
Após o anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no último domingo (14), o presidente americano, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (15) que navios já iniciaram sua circulação pelo Estreito de Ormuz.
Segundo Trump, a movimentação ocorre pela rota sul do canal, uma área mais distante do território iraniano, próxima a Omã e à Arábia Saudita, e que estaria totalmente segura. A declaração foi feita através de sua rede social, Truth Social.
No entanto, o Irã, que controla grande parte do tráfego no estreito, ainda não confirmou oficialmente a informação. A situação se torna mais complexa com o Irã anunciando a cobrança de novas taxas para navios que cruzarem o canal, apesar de Trump ter afirmado que não haveria pedágio. Conforme divulgado pelo g1, o acordo de paz, que será assinado em Genebra na próxima sexta-feira (19), foi mediado pelo Paquistão.
Acordo de Paz e a Controvérsia das Taxas em Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma via marítima crucial, por onde transitam cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente. A possibilidade de cobrança de taxas por parte do Irã, mesmo após o anúncio do acordo de paz, gera incertezas sobre a estabilidade da região e a fluidez do comércio internacional.
Em entrevista ao jornal “The New York Times”, Donald Trump havia declarado que o acordo previa a isenção permanente de qualquer pedágio no Estreito de Ormuz. Contudo, o Ministério das Relações Exteriores iraniano anunciou nesta segunda-feira que haverá a cobrança de “taxas de serviço marítimo”.
O porta-voz do Ministério, Esmaeil Baqaei, explicou que as taxas serão referentes a serviços como proteção ambiental, seguro de navios e outras comodidades necessárias, e não se tratam de pedágios de trânsito. O governo americano ainda não se pronunciou oficialmente sobre essa nova medida anunciada pelo Irã.
Papel de Potências Mundiais e Críticas de Trump
Donald Trump também mencionou que os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, foram importantes na resolução do acordo de paz com o Irã. Ele agradeceu a colaboração dos líderes, mas direcionou críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Trump afirmou que, apesar das objeções de Netanyahu, ele conseguiu evitar que Israel fosse destruído nuclearmente. O presidente americano tem demonstrado irritação com Netanyahu, especialmente em relação aos ataques de Israel ao Líbano, chegando a ter uma discussão acalorada por telefone com o premiê na semana passada.
O Papel dos EUA como “Guardião” e o Futuro de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos ainda ressaltou que, caso o Irã não assinasse o acordo, os EUA se tornariam uma espécie de “guardião do Oriente Médio”, com o poder de capturar 20% das receitas geradas na região. Essa declaração reforça a posição americana de manter a segurança e a estabilidade no Estreito de Ormuz.
A movimentação de navios e a divergência sobre as taxas no Estreito de Ormuz evidenciam a delicada teia de interesses e negociações que envolvem o comércio global de energia e a geopolítica do Oriente Médio. O desenrolar dos próximos dias será crucial para determinar o impacto real do acordo de paz na navegação e na economia da região.
